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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

FACULDADES MEDIÚNICAS

Pelo Espírito Emmanuel
'...Cada médium é mobilizado na obra do bem, conforme as possibilidades de que dispõe...'
Há diversidade de dons espirituais, mas a Espiritualidade é a mesma.
Há diversidade de ministérios, mas é o mesmo Senhor que a todos administra.
Há diversidade de operações para o bem; todavia, é a mesma Lei de Deus que tudo opera em todos.
A manifestação espiritual, porém, é distribuída a cada um para o que for útil.
Assim é que a um, pelo espírito, é dada a palavra da sabedoria divina e a outro, pelo mesmo espírito, a palavra da ciência humana.
A outro é confiado o serviço da fé e a outro o dom de curar.
A outro é concedida a produção de fenômenos, a outro a profecia, a outro a faculdade de discernir os Espíritos, a outro a variedade das línguas e ainda a outro a interpretação dessas mesmas línguas.
No entanto, o mesmo poder espiritual realiza todas essas coisas, repartindo os seus recursos particularmente a cada um, como julgue necessário.”
Quem analise despreocupadamente o texto acima, decerto julgará estar lendo moderno autor espírita, definindo o problema da mediunidade; contudo, as afirmações que transcrevemos saíram do punho do apóstolo Paulo, há dezenove séculos, e constam no capítulo doze de sua primeira carta aos coríntios.
Como é fácil de ver, a consonância entre o Espiritismo e o Cristianismo ressalta, perfeita, em cada estudo correto que se efetue, compreendendo-se na mensagem de Allan Kardec a chave de elucidações mais amplas dos ensinos de Jesus e dos seus continuadores.
Cada médium é mobilizado na obra do bem, conforme as possibilidades de que dispõe.
Esse orienta, outro esclarece; esse fala, outro escreve; esse ora, outro alivia.
Em mediunidade, portanto, não te dês à preocupação de admirar ou provocar admiração.
Procuremos, acima de tudo, em favor de nós mesmos, o privilégio de aprender e o lugar de servir. 🔵
____________________________
Do livro ‘Seara dos  Médiuns, ditado pelo Espírito Emmanuel,
psicografado por Chico Xavier. 4ª ed. FEB. 1983.
Reunião pública de 01/07/60. Questão nº 159. págs. 145/146.
Imagem: www.google.com. Acesso em:14/abril/2012.
Destaques: pelo editor do Blog.
Formatação atualizada em: 04/dezembro/2019.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

FORÇA MEDIÚNICA


Pelo Espírito Emmanuel
' ... A vida e o tempo exigem trabalho e melhoria, progresso e aprimoramento ...'
Considerando-se a força mediúnica como recurso inerente à personalidade humana, de vez que, dentro de grau menor ou maior, transparece de todas as criaturas, comparemo-la à visão comum.
Efetuado o confronto, reconheceremos que, em essência, os olhos de um analfabeto, de um preguiçoso, de um malfeitor e de um missionário do bem não exibem qualquer diferença na histologia da retina.
Em todos eles, a mesma estrutura e a mesma destinação.
Imaginemos fosse concedida, aos quatro, determinada máquina com vistas à produção de certos benefícios, acompanhada da respectiva carta de instruções para o necessário aproveitamento.
O analfabeto teria, debalde, o aparelho, por desconhecer como deletrear o processo de utilização.
O preguiçoso conheceria o engenho, mas deixá-lo-ia na poeira da inércia.
O malfeitor aproveitá-lo-ia para explorar os semelhantes ou perpetrar algum crime.
O missionário do bem, contudo, guardá-lo-ia sob a sua responsabilidade, orientando-lhe o funcionamento na utilidade geral.
🔹
Força medianímica, desse modo, quanto acontece à capacidade visual, é dom que a vida outorga a todos.
O que difere, em cada pessoa, é o problema de rumo. Nisso reside a razão pela qual os Mensageiros Divinos insistirão, ainda por muito tempo, pela sublimação das energias psíquicas, a fim de que os frutos do bem se multipliquem por toda a Terra.
Não valem médiuns que apenas produzam fenômenos. Não valem fenômenos que apenas estabeleçam convicções.
Não valem convicções que criem apenas palavras.
Não valem palavras que apenas articulem pensamentos vazios.
A vida e o tempo exigem trabalho e melhoria, progresso e aprimoramento.
Mediunidade, assim, tanto quanto a visão física, representa, do ponto de vista moral, força neutra em si própria.
A importância e a significação que possa adquirir dependem da orientação que se lhe dê.
Por isso mesmo, os amigos desencarnados, sempre que responsáveis e conscientes dos próprios deveres diante das Leis Divinas, estarão entre os homens exortando-os à bondade e ao serviço, ao estudo e ao discernimento, porquanto a força mediúnica, em verdade, não ajuda e nem edifica quando esteja distante da caridade e ausente da educação.🔵
____________
(Do livro 'Seara dos médiuns' [Estudos e dissertações em torno da substância religiosa de "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, pelo Espírito Emmanuel]; psicografia de Francisco Cândido Xavier; 4ª ed. Federação Espírita Brasileira, 1983; Lição 'Força mediúnica', recebida em reunião pública de 26/02/60, ref. à questão nº 226-parágrafo 2º, do 'Livro dos Médiuns', págs.55 a 56.)
Imagem: www.google.com. Acesso em:16/janeiro/2017. 
Formatação atualizada em: 22/junho/2018.

terça-feira, 12 de junho de 2018

CARTÃO DE VISITA

Pelo Espírito Emmanuel

'...O pensamento é, portanto, nosso cartão de visita...'
Em qualquer estudo da mediunidade, não podemos esquecer que o pensamento vige na base de todos os fenômenos de sintonia na esfera da alma.
Analisando-o, palidamente, tomemos a imagem da vela acesa, apesar de imprópria para as nossas anotações.
A vela acesa arroja de si fótons ou força luminosa.
O cérebro exterioriza princípios inteligentes ou energia mental.
Na primeira, temos a chama.
No segundo, identificamos a ideia.
Uma e outro possuem campos característicos de atuação, que é tanto mais vigorosa quanto mais se mostre perto do fulcro emissor.
No fundo, os agentes a que nos referimos são neutros em si.
Imaginemos, no entanto, o lume conduzido. Tanto pode revelar o caminho de um santuário, quanto a trilha de um pântano.
Tanto ajuda os braços do malfeitor na execução de um crime, quanto auxilia as mãos do benfeitor no levantamento das boas obras.
Verificamos, no símile, que a energia mental, inelutavelmente ligada à consciência que a produz, obedece à vontade.
E, compreendendo-se no pensamento a primeira estação de abordagem magnética, em nossas relações uns com os outros, seja qual for a mediunidade de alguém, é na vida íntima que palpita a condução de todo o recurso psíquico.
Observa, pois, os próprios impulsos.
Desejando, sentes.
Sentindo, pensas.
Pensando, realizas.
Realizando, atrais.
Atraindo, refletes.
E, refletindo, estendes a própria influência, acrescida dos fatores de indução do grupo com que te afinas.
O pensamento é, portanto, nosso cartão de visita.
Com ele, representamos ao pé dos outros, conforme nossos próprios desejos, a harmonia ou a perturbação, a saúde ou a doença, a intolerância ou o entendimento, a luz dos construtores do bem ou a sombra dos carregadores do mal.🔵
____________________________________
(Do livro 'Seara dos médiuns' [Estudos e dissertações em torno da substância religiosa de "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, [pelo Espírito Emmanuel]; psicografia de Francisco Cândido Xavier;  4ª ed. Federação Espírita Brasileira, 1983,.); Lição 'Cartão de Visita', recebida em reunião pública de 8/1/60 ref. à questão nº 7 do Livro dos Médiuns', págs.17 a 18.
Imagem: www.google.com. Acesso em:15/janeiro/2017.
Formatação atualizada em: 12/junho/2018.

sábado, 2 de junho de 2018

PERSONALIDADE MEDIÚNICA

Pelo Espírito Emmanuel
'...é preciso se faça sempre mais e mais esforço nos domínios da elevação moral...'
Justo ponderar que se a mediunidade pode ser definida em seus característicos gerais, cada médium é um instrumento por si, reclamando diferentes medidas de educação.
Assim como o avião, até certo ponto, depende da inteligência que o dirige, até certo limite, a mediunidade depende do médium.
Observe, pois, cada medianeiro dos espíritos as impropriedades de que se veja portador e busque suprimi-las com sinceridade, melhorando os seus recursos de ligação com os Instrutores Espirituais a fim de interpretá-los devidamente.
Por preceitos atribuíveis à conduta de qualquer médium espírita, enumeremos alguns daqueles de que nenhum se afastará sem desvincular-se das influências edificantes:
I - acolher os talentos mediúnicos de que seja depositário, com responsabilidade de quem recolhe determinados valores dos quais prestará contas no momento oportuno;  
II - cultivar a prática mediúnica, situando-a, acima de tudo, em construções morais de consolo e esperança, instrução e beneficência;  
III - consagrar-se ao estudo, entesourando discernimento;  
IV - zelar pela saúde do corpo físico;  
V - praticar a higiene mental, evitando qualquer indução à irritabilidade e à maledicência;  
V I - atender ao exato desempenho dos deveres que abraçou;
VII - devotar-se ao próprio equilíbrio;  
VIII - auxiliar sem a pretensão de convencer; 
IX - respeitar a seara de serviço que lhe foi confiada;  
X - fugir de suscetibilidades, aceitando o sofrimento e a crítica por agentes naturais e indispensáveis ao burilamento das faculdades que lhe digam respeito.
Decerto que, no aperfeiçoamento mediúnico, é preciso se faça sempre mais e mais esforço nos domínios da elevação moral, contudo, apenas nos reportamos aos pontos indicados para considerar que, se é necessário especializar o trabalhador para garantir o rendimento da máquina, é imprescindível construir a personalidade mediúnica a fim de que a mediunidade apresente todo bem que ela seja capaz de produzir.🔵
___________________________
(*Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier,
em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 19/4/65, em Uberaba-MG.
Extraída de folheto distribuído gratuitamente pela Gráfica Romano -  Cambará - PR).
Imagem: www.google.com. Acesso em: 07/janeiro/2017.
Destaques: pelo editor do Blog.
Formatação atualizada em 02/junho/2018.

domingo, 18 de março de 2018

MEDICINA: MEDIUNIDADE NÃO É DOENÇA

Por Dr. Sérgio Felipe de Oliveira* 

Código Internacional de Doenças (OMS) inclui influência dos Espíritos - Medicina reconhece obsessão espiritual
"A obsessão espiritual como doença da alma, já é reconhecida pela Medicina. Em artigos anteriores, escrevi que a obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do Ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.
No entanto, quero retificar, atualizar os leitores de meus artigos com essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social. Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social do indivíduo e desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente, corpo e espírito.
Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: iológico, psicológico e espiritual.
Desta forma, a obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na Medicina como possessão e estado de transe, que é um item do CID - Código Internacional de Doenças - que permite o diagnóstico da interferência espiritual Obsessora.
O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença.
Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença.
Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos - nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura bem como na interferência de um ser desencarnado, a Obsessão espiritual.
Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios.
O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria - DSM IV - alerta que o médico deve tomar cuidado para não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura.
Na Psicologia, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, estudou o caso de uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas.
Na prática, embora o Código Internacional de Doenças (CID) seja conhecido no mundo todo, lamentavelmente o que se percebe ainda é muitos médicos rotularem todas as pessoas que dizem ouvir vozes ou ver espíritos como psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas.
Em minha prática clínica (também praticada por Ian Stevenson), a grande maioria dos pacientes, rotulados pelos psiquiatras de "psicóticos" por ouvirem vozes (clariaudiência) ou verem espíritos (clarividência), na verdade, são médiuns com desequilíbrio mediúnico e não com um desequilíbrio mental, psiquiátrico. (Muitos desses pacientes poderiam se curar a partir do momento que tivermos uma Medicina que leva em consideração o Ser Integral).
Portanto, a obsessão espiritual como uma enfermidade da alma, merece ser estudada de forma séria e aprofundada para que possamos melhorar a qualidade de vida do enfermo."🔵
_________________
(*Dr. Sérgio Felipe de Oliveira - Médico psiquiatra
que coordena a cadeira de Medicina e Espiritualidade na USP.)
Artigo disponível no Boletim Eletrônico da Federação
Espírita Brasileira - Junho/2011/ 2ª quinzena.)
Imagem: www.google.com.Acesso em: 22/junho/2011.
Destaque:pelo editor do Blog.
Formatação atualizada em:17.03.2018. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

SER MÉDIUM

Pelo Espírito Emmanuel
'...Ser médium é ser ajudante do Mundo Espiritual...'
Abraçando a mediunidade, muitos companheiros na Terra adotam posição de absoluta expectativa, copiando a inércia dos manequins. 
Concentram-se mentalmente e aguardam, imóveis, nulificados, a manifestação dos Espíritos Superiores, esquecendo-se de que o verdadeiro servidor assume sempre a iniciativa da gentileza, na mais comezinha atividade doméstica. 
🔹 
Vejamos a lógica do cotidiano. 
Um diretor de escritório não exigirá que o auxiliar se faça enciclopédia humana, a fim de receber-lhe a cooperação; mas solicita seja ele uma criatura ordeira e laboriosa, com a necessária experiência em assuntos de escrita. 
Um médico não reclamará do enfermeiro uma certidão de grandeza moral para aceitar-lhe o concurso; no entanto, contará seja ele pessoa operosa e sensata, com a precisa dedicação aos doentes. 
O proprietário de um ônibus não se servirá da atenção do farmacêutico, em sua oficina; mas procurará um motorista, que não apenas saiba manobrar o volante, mas que o ajude também a conservar o carro. 
O farmacêutico, a seu turno, não se utilizará da atenção de um motorista, em sua casa, mas procurará um colaborador que não apenas saiba vender remédios, mas que o ajude também a aviar as receitas. 
Cada trabalhador permanece em sua própria tarefa, embora a interdependência seja o regime da vida apontado a todos. 
🔹 
Ser médium é ser ajudante do Mundo Espiritual. E ser ajudante em determinado trabalho é ser alguém que auxilia espontaneamente, descansando a cabeça dos responsáveis. 
Se não podes compreender isso, observa o avião, por mais simples seja ele. Tudo é amparo inteligente e ação maquinal no comboio aéreo. Torres de observação esclarecem-lhe a rota e vigorosos motores garantem-lhe a marcha. 
Mas tudo pode falhar, se falharem o entendimento e a disciplina no aviador que está dentro dele.🔵
_______________
(Do livro “Seara dos médiuns”, de Emmanuel,
psicografado por Francisco Cândido Xavier, 4ª Ed.,
1982, editado pela FEB, págs. 137/138 - 
Reunião pública de 17/6/60 - Questão nº 223 - Parágrafo 10º.)
Imagem: www.google.com.Acesso em:27/fevereiro/2015.
Formatação atualizada em: 10/dezembro/2017.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

BEZERRA DE MENEZES E A MEDIUNIDADE

Por Francisco de Assis Daher Pirola

'...a mediunidade é dom natural que convirá
ao seu portador não ignorar que a possui...'

A Mediunidade (com seus efeitos e conseqüências) ainda é assunto desconhecido ─ ou omitido ─ por muitos. Entre os que a conhecem existem os que não a aceitam; entre os que sentem as suas manifestações, há os que pensam dela se descartar, como se costuma fazer a um incômodo qualquer.

Para uma breve reflexão sobre o tema, recorremos a “Dramas da Obsessão” (*), obra empolgante, rica em conteúdo, psicografada por Yvonne A. Pereira, na qual o Venerável Bezerra de Menezes trata do assunto de maneira singular.

De início, destacamos, na mensagem que antecede o primeiro capítulo, equivalente ao prefácio, o título ─ “Advertência” ─, bastante significativo. Nem ‘conselho’ nem ‘lembrete’. ‘Advertência’ mesmo:

“Aos médiuns em geral dedico estas páginas, que um sagrado sentimento de dever me vem perseverantemente inspirando, numa época em que as mais graves responsabilidades pesam sobre os seus ombros.”

Depois, a mensagem mais direcionada, dirigida aos que “desejem” tê-la como “traço de união” entre os dois planos:

“Dirijo-me, porém, particularmente, àqueles que, possuindo faculdades mediúnicas, desejem torná-las em verdadeiro traço de união entre os mundos objetivo e invisível, os quais se interpenetram, não obstante se comprazerem os homens no alheamento dessa amplitude em que se agitam; aos que desejarem converte-las em possibilidades de instrução e fraterno auxílio àqueles que sofrem e choram na desesperança do alívio terreno.”

Em seguida, o Mentor fala da influência espiritual a que todos estamos sujeitos:

“Sabido é, entre espíritas fiéis aos seus princípios, que todos os homens são médiuns, ou, pelo menos, possuem a possibilidade de se deixarem influenciar pelas individualidades invisíveis, sejam estas esclarecidas, medíocres ou inferiores. Todavia, sabido será também que mais depressa a individualidade humana se permitirá envolver-se com as últimas que com as primeiras.”

Concluindo essa parte, o Dr. Bezerra discorre sobre a origem das obsessões e do perigo da “mediunidade ignorada” ou “rejeitada”. Um detalhe: no texto, o autor fala do flagelo que assola “ os planetas” (isto mesmo, no plural). Vejamos:

“Os múltiplos casos e gêneros diversos de obsessão, esse flagelo que assola os planetas onde grande criminosos, grandes culpados e viciosos reencarnam, aglomerados para os devidos resgates do passado e conseqüente progresso; os complexos, dos noticiários macabros, onde avultam todas as modalidades da delinqüência e do insulto à harmonia da sociedade, do crime e da descrença sem tréguas, muitas vezes tiveram origem na influência de seres invisíveis sobre os portes mediúnicos ignorados ou rejeitados, do delinqüente, pois não esqueceremos que se trata de forças tão naturais como qualquer outro dos cinco sentidos que integram a mesma personalidade humana.”

Voltando à mediunidade, Bezerra de Menezes fala dela como um “dom”, que pode progredir com o exercício: (pág. 11):

“De forma idêntica será o sexto sentido de que tratamos, isto é, a intuição, ou a mediunidade em geral: ─ É um dom, eis tudo!, concedido pela Criação para a edificação, o progresso e a felicidade do seu portador, passível de progredir em possibilidades através do exercício, do tempo e das reencarnações, [...]”

E a conceitua com o peso de sua autoridade:

[...] algo mais delicado, profundo e superior que os demais sentidos e que necessitará ser devidamente amado, respeitado e cultivado dentro dos postulados da Moral, da Justiça, do Amor e da Fé, a fim de que não se anule, como se anularia a visão de uma criatura que desde o nascimento vivesse às escuras, e se não resvale ao choque das impurezas humanas. Isso mesmo já vo-lo expôs com clareza absoluta o Instrutor por excelência da Terceira Revelação, encarnado na prudência e na austeridade de Allan Kardec.”

Na pág.12, ao apresentar ao leitor o perfil da história que irá contar, o Venerável Mentor assinala que:

“[...] a mediunidade é dom natural que convirá ao seu portador não ignorar que a possui, mas sim estudá-la, aceitá-la, cultivá-la, educá-la em princípios sérios a fim de se eximir a perigos fatais.”

Na seqüência, o relato de um socorro espiritual, prestado pela equipe do Dr. Bezerra, a uma família na qual já haviam acontecido dois suicídios, com a possibilidade de mais um, prestes a acontecer, e que os Espíritos protetores da casa queriam evitar. Enviando seus mensageiros ao domicílio necessitado, para uma avaliação do quadro, o Mentor recebe a informação (pág. 15) “de que se trata de um caso de obsessão coletiva simples” ─ e, acrescenta o mensageiro:

“[...] carente de intervenção imediata de socorro espiritual, a fim de que se evitem outros suicídios na família... São, quase todos os membros dessa numerosa família, constituída do velho casal e dez filhos menores, portadores de faculdades mediúnicas ignoradas [...] ”.

Segue-se, então, uma informação relevante, que serve de alerta para quantos se distraiam com as coisas do espírito:

“[...] Não cultivam o estudo edificante para o saneamento mental, nem a meditação sobre assuntos elevados do espírito, e tão-pouco a prece..., tornando-se, por isso mesmo, campo raso para os assédios das trevas...,pois que também não alimentam sentimentos religiosos de qualquer espécie, apenas afetando um interesse convencional pela crença católica romana...[...]”.

Assim, leitor amigo, se você ‘acha’ que é médium, porque sente algum tipo de irradiação espiritual, ou possui alguma sensibilidade das que costumam ser classificadas por alguns como ‘extra-sensorial’ ou ‘paranormal’, ou que alguém tente lhe explicar como “parapsicológica”, não vacile! Procure inteirar-se do assunto. Estude o Espiritismo. Procure uma Casa Espírita (adesa à Federação Espírita do seu Estado), mais próxima de sua residência, de preferência, e lembre-se: '...a mediunidade é dom natural que convirá ao seu portador não ignorar que a possui...'🔵
__________________
(*) (PEREIRA, Yvonne A. (Espírito Bezerra de Menezes).
Dramas da Obsessão”. Rio de Janeiro-RJ, FEB, 7ª Ed., 1991).
Imagem: http://www.google.com/. Acesso em: 28.08.2014.
Destaques: pelo editor do Blog.
Formatação atualizada em:22/outubro/2017.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

MEDIUNIDADE


Pelo Espírito Emmanuel
'...mas é sobre a mediunidade, gloriosa luz dos céus oferecida às criaturas, no Pentecostes, que se edificam as construções espirituais de todas as comunidades sinceras da Doutrina do Cristo...'
No dia de Pentecostes, Jerusalém estava repleta de forasteiros. Filhos da Mesopotâmía, da Frígia, da Líbia, do Egito, cretenses, árabes, partos e romanos se aglomeravam na praça extensa, quando os discípulos humildes do Nazareno anunciaram a Boa Nova, atendendo a cada grupo da multidão em seu idioma particular.

Uma onda de surpresa e de alegria invadiu o espírito geral.

Não faltaram os cépticos, no divino concerto, atribuindo à loucura e à embriaguez a revelação observada. Simão Pedro destaca-se e esclarece que se trata da luz prometida pelos céus à escuridão da carne.

Desde esse dia, as claridades do Pentecostes jorraram sobre o mundo, incessantemente.

Até aí, os discípulos eram frágeis e indecisos, mas, dessa hora em diante, quebram as influências do meio, curam os doentes, levantam o espírito dos infortunados, falam aos reis da Terra em nome do Senhor.

O poder de Jesus se lhes comunicara às energias reduzidas.

Estabelecera-se a era da mediunidade, alicerce de todas as realizações do Cristianismo, através dos séculos.

Contra o seu influxo, trabalham, até hoje, os prejuízos morais que avassalam os caminhos do homem, mas é sobre a mediunidade, gloriosa luz dos céus oferecida às criaturas, no Pentecostes, que se edificam as construções espirituais de todas as comunidades sinceras da Doutrina do Cristo e é ainda ela que, dilatada dos apóstolos ao círculo de todos os homens, ressurge no Espiritismo cristão, como a alma imortal do Cristianismo redivivo.
“E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu Espírito derramarei sobre toda carne; os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões e os vossos velhos sonharão sonhos.” — 
________________________________________________
(Do livro "Caminho, Verdade e Vida",
psicografado por F.C.Xavier, ditado pelo
Espírito Emmanuel.14ª Ed. FEB.1990.)
Acesso em: 10/abril/2017.
Formatação atualizada em 10.04.2017.

sábado, 21 de janeiro de 2017

FACULDADES MEDIÚNICAS

Pelo Espírito Emmanuel
'...Cada médium é mobilizado na obra do bem, conforme as possibilidades de que dispõe...'
Há diversidade de dons espirituais, mas a Espiritualidade é a mesma.
Há diversidade de ministérios, mas é o mesmo Senhor que a todos administra.
Há diversidade de operações para o bem; todavia, é a mesma Lei de Deus que tudo opera em todos.
A manifestação espiritual, porém, é distribuída a cada um para o que for útil.
Assim é que a um, pelo espírito, é dada a palavra da sabedoria divina e a outro, pelo mesmo espírito, a palavra da ciência humana.
A outro é confiado o serviço da fé e a outro o dom de curar.
A outro é concedida a produção de fenômenos, a outro a profecia, a outro a faculdade de discernir os Espíritos, a outro a variedade das línguas e ainda a outro a interpretação dessas mesmas línguas.
No entanto, o mesmo poder espiritual realiza todas essas coisas, repartindo os seus recursos particularmente a cada um, como julgue necessário.”
Quem analise despreocupadamente o texto acima, decerto julgará estar lendo moderno autor espírita, definindo o problema da mediunidade; contudo, as afirmações que transcrevemos saíram do punho do apóstolo Paulo, há dezenove séculos, e constam no capítulo doze de sua primeira carta aos coríntios.
Como é fácil de ver, a consonância entre o Espiritismo e o Cristianismo ressalta, perfeita, em cada estudo correto que se efetue, compreendendo-se na mensagem de Allan Kardec a chave de elucidações mais amplas dos ensinos de Jesus e dos seus continuadores.
Cada médium é mobilizado na obra do bem, conforme as possibilidades de que dispõe.
Esse orienta, outro esclarece; esse fala, outro escreve; esse ora, outro alivia.
Em mediunidade, portanto, não te dês à preocupação de admirar ou provocar admiração.
Procuremos, acima de tudo, em favor de nós mesmos, o privilégio de aprender e o lugar de servir.🔵
_________________________________________
(Do livro 'Seara dos médiuns' [Estudos e dissertações em torno da substância religiosa de "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, pelo Espírito Emmanuel]; psicografia de Francisco Cândido Xavier; 4ª ed. Federação Espírita Brasileira, 1983); Lição 'Faculdades mediúnicas', recebida em reunião pública de 01/07/60, ref. à questão nº 159, do 'Livro dos Médiuns', págs.145 a 146.
Imagem: www.google.com. Acesso em:21/janeiro/2017.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

MEDIUNIDADE GRATUITA

E.S.E-Cap. XXVI, itens 7 a 10. 
"...Explorar alguém a mediunidade é, conseguintemente, dispor de uma coisa da qual não é realmente dono..."
"7Os médiuns atuais — pois que também os apóstolos tinham mediunidade — igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição dos que pranteio, porque sou pobre. Tal a razão por que a mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do seu providencial objetivo.

8. Quem conhece as condições em que os bons Espíritos se comunicam, a repulsão que sentem por tudo o que é de interesse egoístico, e sabe quão pouca coisa se faz mister para que eles se afastem, jamais poderá admitir que os Espíritos superiores estejam à disposição do primeiro que apareça e os convoque a tanto por sessão. O simples bom senso repele semelhante ideia. Não seria também uma profanação evocarmos, por dinheiro, os seres que respeitamos, ou que nos são caros? É fora de dúvida que se podem assim obter manifestações; mas quem lhes poderia garantir a sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos, brincalhões e toda a caterva dos Espíritos inferiores, nada escrupulosos, sempre acorrem, prontos a responder ao que se lhes pergunte, sem se preocuparem com a verdade. Quem, pois, deseje comunicações sérias deve, antes de tudo, pedi-las seriamente e, em seguida, inteirar-se da natureza das simpatias do médium com os seres do mundo espiritual. Ora, a primeira condição para se granjear a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, o devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral e material.

"...A mediunidade séria não pode ser e não
o será nunca uma profissão..."

9. A par da questão moral, apresenta-se uma consideração efetiva não menos importante, que entende com a natureza mesma da faculdade. A mediunidade séria não pode ser e não o será nunca uma profissão, não só porque se desacreditaria moralmente, identificada para logo com a dos ledores da boa sorte, como também porque um obstáculo a isso se opõe. É que se trata de uma faculdade essencialmente móvel, fugidia e mutável, com cuja perenidade, pois, ninguém pode contar. Constituiria, portanto, para o explorador, uma fonte absolutamente incerta de receitas, de natureza a poder faltar-lhe no momento exato em que mais necessária lhe fosse. Coisa diversa é o talento adquirido pelo estudo, pelo trabalho e que, por essa razão mesma, representa uma propriedade da qual naturalmente lícito é, ao seu possuidor, tirar partido. A mediunidade, porém, não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade. Pode subsistir a aptidão, mas o seu exercício se anula. Daí vem não haver no mundo um único médium capaz de garantir a obtenção de qualquer fenômeno espírita em dado instante. Explorar alguém a mediunidade é, conseguintemente, dispor de uma coisa da qual não é realmente dono. Afirmar o contrário é enganar a quem paga. Há mais: não é de si próprio que o explorador dispõe; é do concurso dos Espíritos, das almas dos mortos, que ele põe a preço de moeda. Essa ideia causa instintiva repugnância. Foi esse tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância, pela credulidade e pela superstição que motivou a proibição de  Moisés. O moderno Espiritismo, compreendendo o lado sério da questão, pelo descrédito a que lançou essa exploração, elevou a mediunidade à categoria de missão. (Veja-se: O livro dos médiuns, 2a Parte, cap. XXVIII. O céu e o inferno, 1a Parte, cap. XI.)
"...A mediunidade é coisa santa, que deve
ser praticada santamente, religiosamente..."
10A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. Se há um gênero de mediunidade que requeira essa condição de modo ainda mais absoluto é a mediunidade curadora. O médico dá o fruto de seus estudos, feitos, muita vez, à custa de sacrifícios penosos. O magnetizador dá o seu próprio fluido, por vezes até a sua saúde. Podem pôr-lhes preço. O médium curador transmite o fluido salutar dos bons Espíritos; não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os apóstolos, ainda que pobres, nada cobravam pelas curas que operavam. Procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escada por onde subam."
*  *  *
 De "O Evangelho segundo o Espiritismo", Cap. XXVI, itens 7 a 10.
Imagem: www.google.com. Acesso em: 23/março/2015.
Destaques e formatação: pelo Editor do Blog.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

MENSAGEM AOS MÉDIUNS

Pelo Espírito Emmanuel

"[...] Faz-se, portanto, necessário que busqueis cumprir, com severidade e nobreza, as vossas obrigações, mantendo a vossa consciência serena, se não quiserdes tombar na luta[...]"

Venho exortar a quantos se entregaram na Terra à missão da mediunidade, afirmando-lhes que, ainda em vossa época, esse posto é o da renúncia, da abnegação e dos sacrifícios espontâneos. Faz-se mister que todos os Espíritos, vindos ao planeta com a incumbência de operar nos labores mediúnicos, compreendam a extensão dos seus sagrados deveres para a obtenção do êxito no seu elevado e nobilitante trabalho.

Médiuns! A vossa tarefa deve ser encarada como um santo sacerdócio; a vossa responsabilidade é grande, pela fração de certeza que vos foi outorgada, e muito se pedirá aos que muito receberam. Faz-se, portanto, necessário que busqueis cumprir, com severidade e nobreza, as vossas obrigações, mantendo a vossa consciência serena, se não quiserdes tombar na luta, o que seria crestar com as vossas próprias mãos as flores da esperança numa felicidade superior, que ainda não conseguimos alcançar! Pesai as conseqüências dos vossos mínimos atos, porquanto é preciso renuncieis à própria personalidade, aos desejos e aspirações de ordem material, para que a vossa felicidade se concretize.
*  *

NECESSIDADE DA EXEMPLIFICAÇÃO

Todos os médiuns, para realizarem dignamente a tarefa a que foram chamados a desempenhar no planeta, necessitam identificar-se com o ideal de Jesus, buscando para alicerce de suas vidas o ensinamento evangélico, em sua divina pureza; a eficácia de sua ação depende do seu desprendimento e da sua caridade, necessitando compreender, em toda a amplitude, a verdade contida na afirmação do Mestre: “Dai de graça o que de graça receberdes.”

Devendo evitar, na sociedade, os ambientes nocivos e viciosos, podem perfeitamente cumprir seus deveres em qualquer posição social a que forem conduzidos, sendo uma de suas precípuas obrigações melhorar o seu meio ambiente com o exemplo mais puro de verdadeira assimilação da doutrina de que são pregoeiros.

Não deverão encarar a mediunidade como um dom ou como um privilégio, sim como bendita possibilidade de reparar seus erros de antanho, submetendo-se, dessa forma, com humildade, aos alvitres e conselhos da Verdade, cujo ensinamento está, freqüentemente, numa inteligência iluminada que se nos dirige, mas que se encontra igualmente numa provação que, humilhando, esclarece ao mesmo tempo o espírito, enchendo-lhe o íntimo com as claridades da experiência.
*  *
APELO AOS MÉDIUNS

Médiuns, ponderai as vossas obrigações sagradas! preferi viver na maior das provações a cairdes na estrada larga das tentações que vos atacam, insistentemente, em vossos pontos vulneráveis.

Recordai-vos de que é preciso vencer, se não quiserdes soterrar a vossa alma na escuridão dos séculos de dor expiatória. Aquele que se apresenta no Espaço como vencedor de si mesmo é maior que qualquer dos generais terrenos, exímio na estratégia e tino militares. O homem que se vence faz o seu corpo espiritual apto a ingressar em outras esferas e, enquanto não colaborardes pela obtenção desse organismo etéreo, através da virtude e do dever comprido, não saireis do círculo doloroso das reencarnações.
*  *  *
(Do livro “Emmanuel”, ditado pelo Espírito Emmanuel ao médium Chico Xavier.
16ª Ed. Brasília-DF. FEB. 1994. Cap. XI. Págs. 66 a 69.)
Imagem: www.google.com . Acesso em: 09/março/2012.
Formatação atualizada em: 8.07.2014. Destaques:pelo editor do Blog.

terça-feira, 1 de abril de 2014

MEDIUNIDADE E AUTOCURA


Por Leonardo Pereira

"[...] Construímos, então, a felicidade ou a infelicidade de acordo com o mundo mental em que nos situamos.[...]

A mediunidade é faculdade orgânica de que todos nós, em graus diferentes, somos portadores. Kardec, o mestre de Lion, nos esclarece, contudo, que essa denominação aplica-se àquele a que a faculdade se apresenta “bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes...(1) .  Assim, não um dom, pois todos a possuímos. Nem um privilégio.

As classificações de médiuns e mediunidade variam muito. Guardam relação com os compromissos assumidos no mundo espiritual e com o progresso individual de cada criatura.

Conquanto os médiuns sejam classificados em dois grupos ─ de efeitos físicos e de efeitos intelectuais ─ médiuns com faculdades semelhantes apresentam inúmeras diferenças quanto à sua aplicação ou ostensividade. Tudo depende de um organismo mais ou menos sensível, conforme ensina Kardec.

A árvore da mediunidade

Costumo explicar a mediunidade comparando-a a uma árvore ─ ‘a árvore da mediunidade’.

Para entendermos isso, vamos imaginar que a raiz seja formada de duas palavras: sensitivo e impressionável. Todos nós somos sensitivos e impressionáveis.

A raiz ─ é a fonte principal de alimentação de toda a árvore; onde tudo começa. Seguindo esse raciocínio, encontramos o princípio pelo qual Kardec define que todos são médiuns, tendo em vista que em diversos momentos recebemos as impressões, mas quase sempre não as compreendemos. Isso resulta em sensações diversas como, por exemplo, arrepios, calafrios, de que alguem está no local conosco, ou que alguem passou por nós, etc.

No caule ─ encontramos a inspiração e a intuição. Todos nós, mesmo quando não pensamos ou raciocinamos em torno da inspiração ou da intuição, sempre estamos sendo inspirados ou intuidos, para o bem ou para o mal. Na maioria das vezes, julgamos serem nossas todas as idéias, sejam elas de grande ou pequena monta. É um fator de tal ordem, que Kardec, ao questionar os Espíritos Codificadores sobre esse tema ─ “Influem os Espíritos em nossos pesamentos e em nossos atos? ─ teve como resposta: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vós dirigem” (2) .

Os diversos galhos ─ são as várias faculdades mediúnicas que Kardec define como “de efeitos patentes”, em que nos especializamos para desempenhar nossa tarefa evolutiva na terra. Ex.: psicofonia, psicografia, psicopraxia (3) , clarividência, clariaudiência e outras tantas.

A mente e os fenômenos mediúnicos

Salientamos que a mente é a base de todos os fenômenos mediúnicos. Perispirito a perispirito nos conectamos. O pensamento e a vontade são os agentes dessa conexão e facultam o intercâmbio entre os dois mundos: o fisico e o espiritual.

Ao emitirmos um pensamento, ele reflete em nosso perispírito, e outros Espíritos o podem ler como se fosse em um livro (4) . Diriamos até que, diante do avanço tecnológico, Espíritos de nossa ordem, como também os mais evoluidos, veriam o nosso pensamento como em uma televisão de plasma. Essa emanação de ondas mentais, no entanto, pode atrair ou repelir, refletindo uma lei universal: a lei de afinidade.

O complexo pineal

Mergulhados no Éter Divino nos movemos e respiramos. A física quântica nos mostra a realidade das redes de conexão universal onde tudo está em tudo, razão pela qual estamos intimamente interligados.

Os dois mundos ─ o fisico e o espiritual ─ são separados por estados vibratórios diferentes. Quanto ao mundo espiritual, podemos, através da sensibilidade mediúnica, percebê-lo e com ele estabelecer contato.

Em constante comunicação, atráves do complexo pineal (essa ‘antena’ potente e muitas vezes despercebida em nossas experiências reencarnatorias) (5) , captamos, emitimos, atraimos ou repelimos ondas mentais, de acordo com os nossos pensamentos, nos processos de vibração e sintonia. E mesmo que não identifiquemos a sua existência, ela existe e é responsável pela faculdade mediúnica. Nela reside a plataforma orgânica da mediunidade.

Em essência, somos o que pensamos. E o que pensamos constitui a nossa plataforma mental de contato com o plano espiritual. Daí resultam as assimilações de correntes mentais, muitas vezes doentias, pois, não rara vezes, estamos doentes da alma, enfermos da raiva, da mágoa, do orgulho, da vaidade, presos aos laços da matéria ou grudados nela pelo apego aos bens terrenos e pelo desejo de posse.

Entretanto, não obstante vivermos ainda instintos primários e adorarmos as sensações, estamos trilhando o campo dos sentimentos, na busca do Amor, tão decantado e tão desconhecido.

Construimos, então, a felicidade ou a infelicidade de acordo com o mundo mental em que nos situamos. Quanto a isso, destacamos, mais uma vez, o papel do complexo pineal, que, além de emitir e receber ondas mentais, as transforma em reações neuroquímicas, despejando em nosso organismo o fruto mental de nossas escolhas.

Por isso, doente não cura doente. Curar alguém significa, primeiro, buscar a nossa cura, ou, no mínimo, estar em processo de renovaçao constante, que engloba reforma íntima, mudança de hábitos, renovação de pensamento, autoamor, autoperdão, resignação, o exercicio do bem e a prática das várias expressões da Caridade, na terra e no além.

A cura e o poder da vontade

Por oportuno, lembremo-nos do episódo da cura do paraltico (Lucas 5-18:24):

“Alguns homens transportaram o paralítico numa cama e procuravam fazê-lo entrar. Não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado, e, por entre as telhas, o baixaram com a cama, até ao meio, diante de Jesus. E, vendo Ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados. [...] Que arrazoais em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. E, levantando-se logo diante deles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus.[...]”.

Como vemos, o poder da vontade, aliado ao conhecimento, pode operar o que o vulgo chama de “verdadeiros milagres”. Como em nossa doutrina, segundo a lógica dos fluidos, o milagre não encontra espaço nem ressonância, isso ficaria apenas no campo do acaso. Mas o bom senso nos manda estudar as energias, conhecer a intimidade dos fluidos, averiguar e esmiuçar o fenômeno da mediunidade, com o intento de entender o espírito, o perispirito e o corpo fisico.

O melhor médium é sempre aquele que mais se conhece; o que busca, inquire e quer saber de sí mesmo. O “conhece-te a ti mesmo” (atribuído aos Sete Sábios - 650 a.C. - 550 a.C.), inscrito no portal do oráculo de Delfos, já revelava a necessidade de autoconhecimento em nosso processo evolutivo. Conhecendo-nos, seremos capazes de discernir o que é e o que não é nosso, o que, nesse campo intrínseco da fenomenologia medianímica, é deveras importante.

E assim, envolvidos no campo da ciência espírita, mobilizados pela sua filosofia e pela imensidão de questionamentos concernentes à vida e sua amplitude metafisica, somos convocados, pela Sabedoria Divina, a desenvolver o reino dos céus que está dentro de nós.

Para tal proposito, no entanto, devem estar em nossa linha de ação o autoamor e a autoiluminação, para que esse reino se exteriorize em nossas relações do dia-a-dia, abrangendo tudo e todos à nossa volta, transformando-nos e transformando o mundo.

Eis aí o sentido da religião espírita, a ligação com Deus, fazendo-nos parte ativa do seu reino.

Que brilhe a vossa luz!
*  *  *
Leonardo Pereira é
Designer Gráfico, Orador Espírita e trabalhador
do GELP- Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr.
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(1) - O Livro dos Médiuns (Allan Kardec) - Cap. XIX – Dos Médiuns – item 159.
(2) - O Livro dos Espíritos(Allan Kardec) -Parte 2ª – Cap. IX – questão 459.
(3) - Dicionário de Filosofia Espírita – Lamartine Palhano Jr.
(4) - A Gênese ( Allan Kardec) - Cap. XIV – item 15.
(5) - Dr. Sergio Felipe / Estudos sobre a glândula pineal –
matéria sobre Medicina e Espiritualidade. (USP) Universidade de São Paulo.
*  *  *
(Imagem: www.google.com. Acesso em: 09/novembro/2011.)
Formatação atualizada em: 14/março/2014.

sábado, 31 de março de 2012

MUITO DESEJO

Pelo Espírito Emmanuel

"[...] É preciso reverenciar o serviço, buscar o serviço, disputar o serviço e abraçar o serviço com espírito de renúncia em favor do próximo. [...]"

Médium quer dizer “intermediário”.

Intermediário define a posição daquele que se põe de permeio.

E muitos amigos encarnados, aspirando ao contacto com as Esferas Superiores, costumam dizer que sentem muito desejo de ser médiuns.

Há inúmeros que se propõem instruir e escrever, falar e materializar, aliviar e consolar, em nome dos Mensageiros da Luz; entretanto, não passam da região do “muito desejo”.

Mentalizemos, contudo, alguns quadros comuns em que a pessoa descansa nesse impulso de início.

*

Existe o lavrador que tem muito desejo de semear; entretanto, passa a existência discutindo teorias da agricultura, ou comentando algo em torno das pragas diversas que flagelam a lavoura, e espera indefinidamente o instante de plantar, como se a terra devesse deslocar-se para colher-lhe as sementes das mãos.

*

Encontramos o oleiro que mostra muito desejo de fabricar um vaso de eleição, mas consome o tempo falando nas dificuldades da cerâmica ou nos perigos do forno quente, e aguarda em constante expectativa a hora de modelar, como se a argila estivesse na obrigação de buscar-lhe os dedos.

*

Imaginemos o trabalhador que enunciasse muito desejo de cooperar em determinada oficina, e que, aí admitido, simplesmente vivesse a policiar a atitude e o movimento dos chefes e companheiros, qual se pudesse cumprir o próprio dever à custa da observação inoperante que ninguém lhe pediu.

*

Pensemos no aluno que chegasse à escola com muito desejo de aprender e que não manuseasse, sequer, um livro, qual se o professor pudesse pregar-lhe a lição na cabeça, como quem dependura um cartaz no poste.

*

Se aspiras a colaborar na obra dos Espíritos Benevolentes e Sábios, colocando-te entre eles e os irmãos encarnados, é possível não possas, de imediato, partilhar a sinfonia dos grandes feitos humanos, mas podes brilhar na tarefa mais alta de todas, a expressar-se no concerto do bem puro, consolando e construindo, amparando e esclarecendo, educando e amando...

Para isso, porém, não basta o muito desejo...

É preciso reverenciar o serviço, buscar o serviço, disputar o serviço e abraçar o serviço com espírito de renúncia em favor do próximo.

Muitos dizem que farão isso amanhã.

Realmente, amanhã é o tempo glorioso de nome porvir, destinado a marcar o coroamento e a vitória, a colheita e a alegria...

Entretanto, segundo velho rifão, em muitos casos “amanhã é o caminho que vai dar no deserto chamado nunca”.

(Reunião pública de 18/3/60. Questão nº 220 - Parágrafo 15º.)

*  *  *
(Do livro "Seara dos Médiuns", ditado pelo Espírito Emmanuel
ao médium Chico Xavier. 4ª ed. FEB.1983. págs. 75/77.)
Imagem: www.google.com. Acesso em: 31março/2012.