terça-feira, 18 de março de 2014

A CAÇADA DO RIBEIRÃO



Por Francisco de Assis Daher Pirola
(Singela homenagem ao Espírito Cornélio Pires)

Nhô Perácio, homem chegado às rudezas da terra, vez por outra achava de caçar macuco nas vizinhanças do “Ribeirão”, que, ao contrário do que dizia o nome, não passava de pequeno sítio em meio a alguns alqueires de mata densa, onde corria pequeno córrego.

Certa noite, numa dessas escapadas, “farejou” caça e não pensou duas vezes. Repara no alforje, vê que dá pra passar a noite e afunda mata adentro.

Horas depois, já saboreando um bom pedaço de carne assada, trazida numa lata com farofa, não pôde conter o espanto ao ouvir, bem próximo, alguém abrindo picada. Mal teve tempo de se colocar de pé, quando um facho de lanterna clareou seu rosto, seguido do aviso:

– “Queta” aí, Nhô Perácio, que é o compadre Zeca!

– Ora, ora meu compadre, era só o que faltava, você por aqui nessa hora?! – respondeu, surpreso, o caçador.

Morando num povoado distante dali, Compadre Zeca também gostava de dar a sua caçada. Só que, desta vez, viera parar nas bandas do “Ribeirão”, que, aliás, não era sua área costumeira.

Passado o incidente da chegada inusitada do companheiro, mais graveto é colocado na fogueira, esquentando a conversa. Afinal, não se viam há um bom tempo, nem notícias tinham um do outro. Comentavam, por isso, com animação, a feliz coincidência.

E, ao crepitar do fogo, de tudo um pouco conversavam, lembrando outras caçadas que tinham partilhado. Nhô Perácio lembrou até da “visagem” que, segundo diziam, surgia ali na época boa de caça e que o Compadre Zeca sempre considerou “história de caçador”.

Só que, naquela noite, ao contrário do que sempre dissera, o Compadre Zeca falava ao incrédulo companheiro:

– Sabe, compadre, eu agora acredito em tudo. “Aparição de gente” é possível, sim. Eu sei que é! – reforçava.

Nhô Perácio, achando medo nas palavras do outro, apontava a espingarda e, a seu modo, caçoava, às gargalhadas:

– Que nada compadre, essa história de “fantasma” é tudo invenção. E se aparecer... eu corto no tiro!

Compadre Zeca apenas sorria, e, complacente, com ares de quem dá conselho, falava:

– Compadre, compadre, olha que um dia você acaba vendo um de verdade...

E, discutindo o “causo”, puseram-se a caminho, pois logo o dia amanheceria e precisavam aproveitar o tempo.

Já nos primeiros albores, encerraram a caçada e pegaram a trilha de volta. Zeca seguiria a picada que abrira antes, para chegar mais depressa ao povoado. Nhô Perácio voltaria só. Despediram-se, e cada um seguiu seu caminho.

De volta pra casa, o velho caçador matutava no acontecido. Homem acostumado à dureza, Compadre Zeca, naquela noite, evitara usar a sua conhecida cartucheira. Não dera um só tiro. E sempre que algum animal caía na sua mira arranjava uma desculpa pra não atirar. Mas não era só isso - pensava - o compadre andava agora com mania de conselheiro. Parecia até Nhô Dalmo, com seus livros “complicados”, que falam desse “negócio” de morto que volta. Sempre crera somente nesta vida - meditava. Quanto à outra vida, dizia em voz baixa,“só depois que eu ver”. “Ou o Compadre Zeca amoleceu, ou tá ficando meio doido” - concluía amuado.

O sol já clareava forte quando chegou à casa. Nhá Norina chorava num canto da sala.

Antes mesmo de perguntar alguma coisa vê uma carta sobre a mesa. Pega o papel e lê apressado. Seu olhar vagueou, então, pela salinha toda. Sentiu-se cansado, muito cansado...

A carta comunicava a morte do Compadre Zeca, ocorrida dias antes, numa caçada pros lados da “Jaguatirica”.
* * *
Imagem: www.google.com . Acesso em: 21/junho/2012.
Texto e formatação atualizados em: 18.03.2014.
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Leia ainda:
Cornélio Pires - Dados Biográficos
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sábado, 8 de março de 2014

RESSURREIÇÃO E VIDA


Leitura recomendada


Narrados de forma vibrante pelo Espírito Leon Tolstoi, encerrando seu testemunho de imortalidade Além-túmulo, "Ressurreição e vida" contém seis contos e dois pequenos romances que transmitem ensinamentos sobre a reencarnação, a obsessão e o psiquismo humano.

Trata-se de uma obra indispensável para uma educação moral-intelectual sólida, firmada em princípios verdadeiramente cristãos.

Entrego-a, pois, ao público, esperando que ela reconforte os corações sedentos de Esperança, para satisfação da nobre alma de apóstolo que amorosamente ma concedeu.” (Yvonne A. Pereira)
(Sinopse e imagem disponíveis em:
http://www.feblivraria.com.br/.Acesso em: 01/março2014.)

quinta-feira, 6 de março de 2014

LIÇÕES DA OBRA DE YVONNE DE A. PEREIRA

Por Sandra Ventura

“Todo encontro com outro ser humano tem sentido e
deve significar algo no plano da criação de Deus.” – Peter Van Der Meer1

Infelizmente não tive oportunidade de conhecê-la pessoalmente, mas pude reconhecer os seus caracteres de nobreza, distinção, fraternidade e humildade pelas obras que psicografou e nos muitos artigos que escreveu, nos quais se vê a observância fiel aos princípios doutrinários, bem como o profundo ascendente moral evangélico presente em toda a sua produção e vivência doutrinária.

Em março de 1984, deixava a Terra a alma redimida de Yvonne do Amaral Pereira.Foram 83 anos bem vividos e destinados à renovação de si mesma, tendo como principal ferramenta a dor das provas e das expiações a que se submeteu resignada e confiante.

Espírito lúcido, soube como ninguém aproveitar as lições e benesses que somente a Doutrina dos Espíritos lhe poderia dar. Alma peregrina do pecado, transitou de dramas terríveis à plena redenção de seus sentimentos de mulher, filha, amiga e irmã, dedicando-se com respeito e honradez aos inúmeros companheiros que puderam compartilhar da sua presença em substanciosas conversas na varanda da casa de sua irmã Amália (com quem morou nos últimos anos de sua vida) ou nos momentos de pregação evangélica a que ela se dedicava (na tribuna humilde ou nas missivas escritas com carinho maternal), ou ainda no colóquio silencioso e feliz com os seus queridos amigos do espaço. Que lições valiosas lhe fluíam da pena, sob a influência suave do venerável Bezerra de Menezes, quando este, cercando-a com os cuidados de pai, lhe dava a oportunidade de reconhecer, Nas telas do infinito, toda a operosidade do amor com que devem conduzir-se aqueles que pretendem servir nas lides dos muitos Dramas da obsessão ou nos graves momentos como a Tragédia de Santa Maria.

Quem poderia prever que sua tragédia passional de ex-suicida no século 19 pudesse se converter em testemunho de fogo, fazendo com que ela mesma voltasse à Terra com a missão de alertar os incautos do caminho sobre os perigos e sofrimentos advindos desse gesto insano, de profunda revolta contra a Lei de Deus.

Camilo Castelo Branco,o notável escritor português, contou-lhe suas Memórias de um suicida e deste trabalho conjunto temos o maior tratado mediúnico dos últimos tempos,na opinião do preclaro Espírito André Luiz.

Com as lembranças de Camilo vieram também as narrativas de Amor e ódio, que o grande Victor Hugo pediu a Charles transcrevesse, buscando no éter as vívidas e traumáticas experiências de um jovem artista, que bem serviriam de exemplo para a juventude, ao encontrar em O livro dos espíritos a explicação e o consolo para os seus martírios. O inesquecível escritor e pregador do Evangelho, o “santo paizinho” da Rússia, como era conhecido Liev Tolstoi, deu sua contribuição preciosa trazendo as histórias do seu povo, das suas terras longínquas, em que exigiu da médium o uso do russo castiço, para as descrições detalhadas do exigente escritor romântico, necessárias ao repasse das suas cartas de moral evangélica, de psicologia profunda donde ressoam a Sublimação dos sentimentos de muitas criaturas, travestidas de personagens, outros trazendo a Ressurreição e vida que só o encontro com o Cristo favorece.

Ainda poderíamos destacar, por muito nos sensibilizarem, as suaves nuances de azul e rosa que a médium percebia envolvendo as cenas do drama Nas voragens do pecado, obra escrita inicialmente pelo Espírito Roberto de Canallejas, seu companheiro de muitos enredos. Roberto, protagonista nesse drama e nas duas outras obras que compõem a já consagrada “Trilogia de Yvonne A. Pereira”, oprimido pelo sofrimento que lhe causava a lembrança do passado, não pôde concluí-las. A tarefa coube ao mentor da médium, o Espírito Charles, que manteve o sabor nostálgico da vida do Cavaleiro de Numiers e o caráter impactante do Drama da Bretanha. Muito se poderia dizer desta trilogia, mas por que nos retermos nos aspectos históricos tão bem caracterizados, a evidenciarem uma de suas notáveis especialidades mediúnicas, se o que mais nos salta aos olhos é justamente a penetração doutrinária em todos os lances, o alcance das lições em cada obra, À luz do consolador?

Estudiosa profunda e grande observadora dos fenômenos mediúnicos, foi Devassando o invisível que ela nos trouxe as suas Recordações da mediunidade – duas obras que são o relato de suas experiências mediúnicas -, as quais vieram a lume sob a orientação de Charles, Bezerra,Inácio Bittencourt e Léon Denis, que lhe determinaram:

Narrarás o que a ti mesma sucedeu, como médium, desde o teu nascimento. Nada mais será necessário. [...]

O grande discípulo de Allan Kardec, Léon Denis, tornou-se amigo presente em momentos cruciais de sua vida, soerguendo-lhe o ânimo diante das muitas dificuldades, até que a expressão máxima do trabalho brilhasse estampada nas obras sobre as quais ela se debruçava com fervor, dificuldades como os 30 anos de espera pela publicação de uma obra, ou ainda ter o seu passado equivocado, em vidas anteriores, exposto em algumas de suas obras,tudo para testar sua humildade e resignação.

A Federação Espírita Brasileira, a Casa Máter do Espiritismo, era considerada por ela como um segundo lar paterno, daí a sua admiração e devoção pela Casa de Ismael durante toda a sua vida, entregando toda a sua obra aos cuidados da FEB. Em 2013, a FEB Editora lançou alguns livros que jaziam esquecidos pelo tempo.Mas, como tudo tem o seu momento, eis que quatro deles são recuperados, todos ostentando o conteúdo e o estilo inconfundíveis, tanto da médium como dos Espíritos que a assistiam.São cartas destinadas à infância e à juventude. São flores colhidas em plena primavera de sentimentos para que o Espírito jovem acolha os ensinamentos do Evangelho sob as bênçãos da Família espírita, com o endosso do Evangelho aos simples, compreendendo As três Revelações da lei de Deus nos muitos Contos amigos que a saudosa médium trouxe das mãos generosas de Bezerra de Menezes, Charles e Liev Tolstoi.

Muito ainda se poderia comentar sobre as 173 obras que Yvonne nos legou, todavia o que mais importa é que a quantidade não tem tanta valia onde a qualidade é inequívoca, onde a fidelidade absoluta a Jesus e a Kardec saltam aos olhos daqueles que têm olhos para ver e que estejam vigiando e orando, já que os tempos são chegados e o joio será atado em molhos para queimar, e o trigo, juntado no celeiro do Senhor. (Mateus, 13:30.)
*  *
1 PEREIRA. Yvonne do A. Um caso de reencarnação – Eu e Roberto de Canallejas.
5. ed. Rio de Janeiro: Associação Editora Espírita F. V. Lorenz,2009.
2 PEREIRA. Yvonne do A. Recordações da mediunidade. 12. ed. 2. imp. Brasília:FEB, 2013. Introdução, p. 8.
3 N.R.: Dessas 17 obras, uma será lançada este mês: As três revelações da lei de Deus; e a outra, Contos amigos, ainda se encontra no prelo.
*  *  *
(Texto e imagem disponíveis em: http://www.sistemas.
febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=398.
Acesso em: 01/março/2014.)

domingo, 2 de março de 2014

A ESPADA E O FIO



A guerra, a violência, o aborto.

A vida... por um fio!

A medida do feitio
Da medida de quem faz...

A medida do feitio
Da medida de quem não fez...

O feitio da medida
Do fio da espada que mata...

O feitio da medida
Do fio da espada de quem mata...

(Oh! senhores, dos exércitos
e das nações!)

O fio da espada que mata
Só não mata...

O feitio da Esperança
De quem trança

Um fio...

De Vida!
De Vida!
De Vida!
*
  
“[...] porque com a mesma medida com que medirdes também
 vos medirão de novo.[...]” - (Lucas 6:8; Mateus 7:8; Marcos 4:24.)
🔺
Francisco de Assis Daher Pirola,
Jacaraípe – Serra - ES - 30 de junho de 1995.
Imagem: www.google.com. Acesso em: 02/março/2014.
Formatação atualizada em: 30/novembro/2016.

sábado, 1 de março de 2014

A MISSÃO DA FEB


A missão da Federação Espírita Brasileira aparece anunciada e delineada desde as manifestações espirituais ocorridas nos grupos e sociedades antecessoras que atuaram na fundação da centenária Entidade.

Ao longo de 13 décadas de trabalho, a FEB mantém erguida e desfraldada a flâmula que simboliza o conjunto de seus propósitos e realizações: “Deus, Cristo e Caridade!”. Este dístico é fonte de inspiração para as suas ações na Seara Espírita e junto à comunidade.

No conjunto dos comentários espirituais destaca-se a obra Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho:

[...] dentro do grande plano da unificação e da paz, nos ambientes da Doutrina, plano esse que eles conseguiram relativamente realizar, mais tarde, organizando o aparelho central de suas diretrizes, que se consolidaria com a Federação Espírita Brasileira, onde seria localizada a sede diretora, no plano tangível, dos trabalhos da obra de Ismael no Brasil.1

[...] a grande obra de Ismael tem a sua função relevante no organismo social da Pátria do Cruzeiro, vivificando a seara da educação espiritual. [...]1

A recente elaboração do Planejamento Estratégico da FEB, em coerência com seu Estatuto e com o “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2013-2017)”, reafirmando informações espirituais, assim definiu a missão da Instituição:

Oferecer a Doutrina Espírita ao ser humano por meio do seu estudo, prática e difusão, pela união solidária dos espíritas e unificação das instituições espíritas, contribuindo para a formação do homem de bem.
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1 XAVIER, Francisco C. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho.Pelo Espírito Humberto de Campos. 34. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 23 e 29, p. 145 e 181, respectivamente.
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Fonte:Editorial de "Reformador on line", disponível em
http://www.sistemas.febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=395.Acesso em: 01/março/2014.
Imagem: www.google.com.Acesso em: 01/março/2014.
Destaques: pelo Editor do Blog.