sábado, 25 de maio de 2013

MUITAS 'VIDAS' OU MUITAS 'EXISTÊNCIAS'?


Rui Augusto B. Guerreiro

"A vida pertence ao Espírito imortal, iniciada quando é este criado simples e ignorante."

Pode parecer estranho para alguns o título acima; todavia, muitas confusões acontecem quanto ao correto termo a ser usado: afinal, temos muitas vidas ou muitas existências? Alguns dirão que tanto um quanto outro quer dizer a mesma coisa, e que tal distinção em nada acrescenta. Vejamos.

Conforme a Parte Segunda, capítulo IV, de O Livro dos Espíritos, está ali expresso o título “Da pluralidade das existências”. Na questão 166, pergunta Kardec aos Espíritos Superiores: “Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?” Respondem estes que “sofrendo a prova de uma nova existência” (grifamos). Pergunta mais adiante: “A alma passa então por muitas existências corporais?”, para a qual respondem que “sim, todos contamos muitas existências [...]” (grifamos). Já na questão 168, indaga Kardec: “É limitado o número das existências corporais, ou o Espírito reencarna perpetuamente?” É dito como resposta que “a cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante na senda do progresso. Desde que se ache limpo de todas as impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal” (grifamos). Mais adiante, no capítulo VI, dentro do título “Da vida espírita”, temos o subtítulo “Recordação da existência corpórea , no qual se desenrolam mais questionamentos, sempre se referindo às várias existências, seja na Terra, seja em outros mundos.

Tais ilustrações servem para demonstrar que, em realidade, vida temos tão-somente uma, e que cada nova passagem pelo Planeta é, sim, uma nova existência. A vida pertence ao Espírito imortal, iniciada quando é este criado simples e ignorante. Seria como compararmos o corpo com as roupas: o corpo permanece o mesmo, porém as roupas não. A cada dia, outras roupas são usadas, de acordo com as nossas necessidades.

Assim, quando formos novamente questionados, diremos que vida temos uma só, criada para a eternidade, e que existências temos muitas, eis que isso está diretamente ligado ao aproveitamento das oportunidades que nos são possibilitadas pela Misericórdia Divina.

*  *  *
(Texto publicado na revista Reformador, de julho/2006,
editada pela Federação Espírita Brasileira.
Disponível no Portal FEB. Acesso em: 19/janeiro/2012.)
Imagem: www.google.com. Acesso em: 22/janeiro/2012.
Formatação atualizada em:25.05.2013.

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quinta-feira, 23 de maio de 2013

"MEMÓRIAS DE UM SUICIDA"


OBRA COMPLETA 62 ANOS

A introdução, escrita por Yvonne Pereira, traz a data de 18 de maio de 1954. A obra passou por uma revisão, feita pelo Espírito Léon Denis (Prefácil da 2ª edição, abril de 1957).

"Com orientação do Espírito Léon Denis, o autor espiritual Camilo Castelo Branco, sob o pseudônimo Camilo Cândido Botelho, descreve à médium Yvonne A. Pereira sua dolorosa experiência após a desencarnação pelo suicidio. Com valiosos ensinamentos, o livro mostra a grandeza da Misericórdia divina para com os suicidas arrependidos, trazendo-lhes a oportunidade de conhecer o Universo e a vida em sua integral dimensão. A gênese planetária, a evolução do ser, a imortalidade da alma, a moral cristã e outros temas relevantes são estudados para a compreensão de que "nenhuma tentativa para o reerguimento moral será eficiente se continuarmos presos à ignorância de nós mesmos". A leitura completa da obra mostra que há um caminho de reconstrução para os arrependidos. Há sempre esperança, porquanto a reabilitação é possível." (3) 
*
"Sucumbindo ao suicídio o homem rejeita e destrói ensejo sagrado, facultado por lei, para a conquista de situações honrosas e dignificantes para a própria consciência, pois os sofrimentos, quando heroicamente suportados, dominados pela vontade soberana de vencer, são como esponja mágica a expungir da consciência culposa a caligem infamante, muitas vezes, de um passado criminoso, em anteriores etapas terrenas. Mas, se, em vez do heroísmo salvador, preferir o homem a fuga às labutas promissoras, valendo-se de um auto-atentado que bem revelará a vasa de inferioridade que lhe infelicita o caráter, retardará o momento almejado para a satisfação dos mais caros desejos, visto que jamais se poderá destruir porque a fonte de sua Vida reside em seu Espírito e este é indestrutível e eterno como o Foco Sagrado de que descendeu!" (1)
*
"O estado indefinível, de angústia inconsolável, de inquietação aflitiva e tristeza e insatisfações permanentes; as situações anormais que se decalcam e sucedem na alma, na mente e na vida de um suicida reencarnado, indescritíveis à compreensão humana e só assimiláveis por ele mesmo, somente lhe permitirão o retorno à normalidade ao findar das causas que as provocaram, após existências expiatórias, testemunhos severos onde seus valores morais serão duramente comprovados, acompanhando-se de lágrimas ininterruptas, realizações nobilitantes, renúncias dolorosas de que se não poderá isentar... podendo tão dificultoso labor dele exigir a perseverança de um século de lutas, de dois séculos... talvez mais... tais sejam o grau dos próprios deméritos e as disposições para as refregas justas e inalienáveis!" (2)
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(1) Espírito Camilo Castelo Branco, em "Memórias de um Suicida". 8ª ed. 1979. FEB. Cap. V. item 7. páginas 131/135.)
(2) Espírito Camilo Castelo Branco, em "Memórias de um Suicida". 8ª ed. 1979. FEB. Cap. V. item 11. páginas 131/135.)
(3) Sinopse/ Imagem: Livraria Virtual - Portal FEB (http://www.febnet.org.br/site/). Acesso em: 23/maio/2013.
Destaques: pelo editor do Blog.
Formatação atualizada em: 01/setembro/2016.

domingo, 19 de maio de 2013

BRILHE VOSSA LUZ


Pelo Espírito Emmanuel

"[...] O Evangelho é o Sol da
Imortalidade que o Espiritismo reflete, com sabedoria, para a atualidade do mundo,[...]"

Meu amigo, no vasto caminho da Terra, cada criatura procura o alimento espiritual que lhe corresponde à posição evolutiva.

A abelha suga a flor, o abutre reclama despojos, o homem busca emoções. Mas ainda mesmo no terreno das emoções, cada espírito exige tipos especiais.

Há sofredores inveterados que outra coisa não demandam além do sofrimento, pessimistas que se enclausuram em nuvens negras, atendendo a propósito deliberado, durante séculos. Suprem a mente de torturas contínuas e não pretendem construir senão a piedade alheia, sob a qual se com prazem.

Temos os ironistas e caçadores de gargalhadas que apenas solicitam motivos para o sarcasmo de que se alimentam.

Observamos os discutidores que devoram páginas respeitáveis, com o único objetivo de recolher contradições para sustentarem polêmicas infindáveis.

Reparamos os temperamentos enfermiços que sorvem tóxicos intelectuais, através de livros menos dignos, com a incompreensível alegria de quem traga envenenado licor.

Nos variados climas do mundo, há quem se nutra de tristeza, de insulamento, de prazer barato, de revolta, de conflitos, de cálculos, de aflições, de mentiras...

O discípulo de Jesus, porém - aquele homem que já se entediou das substâncias deterioradas da experiência transitória -, pede a luz da sabedoria, a fim de aprender a semear o amor em companhia do Mestre...

Para os companheiros que esperam a vida renovada em Cristo, famintos de claridade eterna, foram escritas as páginas deste livro despretensioso.

Dentro dele, não há palavras de revelação sibilina.

Traduz, simplesmente, um esforço para que nos integremos no Evangelho, celeiro divino do nosso pão de imortalidade.

Não é exortação, nem profecia. É apenas convite. Convite ao trabalho santificante, planificado no Código do Amor Divino.

Se a candeia ilumina, queimando o próprio óleo, se a lâmpada resplende, consumindo a energia que a usina lhe fornece, ofereçamos a instrumentalidade de nossa vida aos imperativos da perfeição, para que o ensinamento do Senhor se revele, por nosso intermédio, aclarando a senda de nossos semelhantes.

O Evangelho é o Sol da Imortalidade que o Espiritismo reflete, com sabedoria, para a atualidade do mundo.

Brilhe vossa luz! - proclamou o Mestre.

Procuremos brilhar! - repetimos nós.
*  *  *
(Do livro "Vinha de Luz", de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier
 - Edição Internet baseada na  14ª edição. FEB.)
Imagem: www.google.com. Acesso em: 16/setembro/2011.
Formatação atualizada em:19.05.2013.Destaques: pelo editor do Blog.

domingo, 5 de maio de 2013

NO CAMINHO DO AMOR


Por Francisco  de A. D. Pirola

"[...] − Descubro em teus olhos diferente chama e
assim procedo por amar-te."

Numa apologia à liberalidade costuma-se dizer que "o importante é ser feliz". Esta é a senha para a banalização da sexualidade, reduzida a simples objeto na sedutora vitrine do culto ao prazer. 

Nesse caudal vertiginoso debate-se parte de uma geração que vivendo sob novo paradigma de liberdade tudo considera normal, navegando na inversão de valores com a mesma tranquilidade com que atravessa o deserto das contradições, na ilusão de que tudo é possível, só despertando, muitas vezes, no limiar  do abismo.

Em Forças do Ser, música tema do 32° EMEES/DIJ/FEEES, o compositor André Pirola interroga:

“E o que você fará, amor, / do Amor que Deus deu pra você? / Pra quem você abrirá, amor, a porta do seu ser? / E o que você fará, amor, / do Amor que Deus deu pra você? / Pra quem você abrirá, amor, a porta? / Importa pra você.”

E aí, como é que "fica"?

Buscando um parâmetro para o entendimento dessa complexa questão do comportamento humano, procuramos inspiração no Exemplo do Jovem Nazareno, Guia e Modelo da Humanidade, indagando:

- Como procederia Ele diante de um desses apelos sensuais tão “naturais” em nossos dias?

e encontramos  um belíssimo texto do Espírito Irmão X, ditado ao médium Chico Xavier, constante do livro “Contos e Apólogos” (3ª Ed. Rio de Janeiro. FEB. 1974. Lição nº 18. p. 81 a 83).

Na lição, que reproduzimos a seguir, o autor nos conduz a profunda reflexão, mostrando, ao mesmo tempo, a rapidez com que se esvaem, e como são passageiras, as ilusões a que nos aferramos em meio à transitoriedade da vida física, sem nos darmos conta de que o Amor verdadeiro, indestrutível, que realiza de fato, deve ser uma edificação  do Espírito.

Vamos, então, ao texto: 

NO CAMINHO DO AMOR

Em Jerusalém, nos arredores do Templo, adornada mulher encontrou um nazareno, de olhos fascinantes e lúcidos, de cabelos delicados e melancólico sorriso, e fixou-o estranhamente.

Arrebatada na onda de simpatia a irradiar-se dele, corrigiu as dobras da túnica muito alva, colocou no olhar indizível expressão de doçura e, deixando perceber, nos meneios do corpo frágil, a visível paixão que a possuíra de súbito, abeirou-se do desconhecido e falou, ciciante:

− Jovem, as flores de Séforis encheram-me a ânfora do coração com deliciosos perfumes. Tenho felicidade ao teu dispor, em minha loja de essências finas...

Indicou extensa vila, cercada de rosas, à sombra de arvoredo acolhedor, e ajuntou:

− Inúmeros peregrinos cansados me buscam à procura do repouso que reconforta. Em minha primavera juvenil, encontram o prazer que representa a coroa da vida. E' que o lírio do vale não tem a carícia dos meus braços e a romã saborosa não possui o mel de meus lábios. Vem e vê! Dar-te-ei leito macio, tapetes dourados e vinho capitoso... Acariciar-te-ei a fronte abatida e curar-te-ei o cansaço da viagem longa! Descansarás teus pés em água de nardo e ouvirás, feliz, as harpas e os alaúdes de meu jardim. Tenho a meu serviço músicos e dançarinas, exercitados em palácios ilustres!...

Ante a incompreensível mudez do viajor, tornou, súplice, depois de leve pausa:

− Jovem, por que não respondes? Descobri em teus olhos diferentes chama e assim procedo por amar-te. Tenho sede de afeição que me complete a vida. Atende! Atende!...

Ele parecia não perceber a vibração febril com que semelhantes palavras eram pronunciadas e, notando-lhe a expressão fisionômica indefinível, a vendedora de essências acrescentou um tanto agastada:

− Não virás?

Constrangido por aquele olhar esfogueado, o forasteiro apenas murmurou:

− Agora, não. Depois, no entanto, quem sabe?!...

A mulher, ajaezada de enfeites, sentindo-se desprezada, prorrompeu em sarcasmos e partiu.
**
Transcorridos dois anos, quando Jesus levantava paralíticos, ao pé do Tanque de Betesda, venerável anciã pediu-lhe socorro para infeliz criatura, atenazada de sofrimento.

O Mestre seguiu-a, sem hesitar.

Num pardieiro denegrido, um corpo chagado exalava gemidos angustiosos.

A disputada marcadora de aromas ali se encontrava carcomida de úlceras, de pele enegrecida e rosto disforme. Feridas sanguinolentas pontilhavam-lhe a carne, agora semelhante ao esterco da terra. Exceção dos olhos profundos e indagadores, nada mais lhe restava da feminilidade antiga. Era uma sombra leprosa, de que ninguém ousava aproximar.

Fitou o Mestre e reconheceu-o.

Era o mesmo mancebo nazareno, de porte sublime e atraente expressão.

O Cristo estendeu-lhe os braços, tocado de intraduzível ternura e convidou:

− Vem a mim, tu que sofres! Na Casa de Meu Pai, nunca se extingue a esperança.

A interpelada quis recuar, conturbada de assombro, mas não conseguiu mover os próprios dedos, vencida de dor.

O Mestre, porém, transbordando compaixão, prosternou-se fraternal, e conchegou-a, de manso...

A infeliz reuniu todas as forças que lhe sobravam e perguntou, em voz reticenciosa e dorida:

-Tu?... O Messias nazareno?... O Profeta que cura, reanima e alivia?!... Que vieste fazer, junto de mulher tão miserável quanto eu?

Ele, contudo, sorriu benevolente, retrucando apenas:

− Agora, venho satisfazer-te os apelos.

E, recordando-lhe a palavra do primeiro encontro, acentuou, compassivo:

− Descubro em teus olhos diferente chama e assim procedo por amar-te.”
*  *  *
Imagem: www.google.com. Acesso em 24/fevereiro/2012.
Formatação e revisão atualizados em 05.05.2013.

sábado, 4 de maio de 2013

APOIO OCULTO


Pelo Espírito Maria Dolores
Escuta, coração,
Seja qual for
A nuance de dor
Que te mergulha em aflição,
Nunca te dês à intemperança
Do azedume que se inclina
Para a sombra abismal da indisciplina
Sem qualquer esperança.
Por maior seja o vulto
Da mágoa que te fere a alma dorida,
Resguarda-te na paz que nos defende a vida,
Sem cair em tumulto.
Procura o bem, nas trilhas em que vamos,
Cala-te, serve, age, abençoa e não temas,
A bondade de Deus jamais nos dá problemas
De que não careçamos.
Crise, tribulação, instante de agonia,
Desilusão, tristeza e dissabor
São medidas de amor
Com que o Céu nos protege, dia-a-dia.
A passagem do tempo não é vã
E, ante a luta maior, a que a vida nos leva,
Tudo o que nos pareça prova ou treva
Será luz amanhã.
*  *  *
( XAVIER, Francisco Cândido. A Vida Conta. 3ª ed. São Paulo: CEU, 1984, cap. 16, p. 52-53.)
Imagem: Disponível em: www.google.com . Acesso em: 21/outubro/2010.