terça-feira, 22 de maio de 2012

PELA FORÇA DO EXEMPLO

Lago di Garda - Itália

Pelo Espírito Spartaco Ghilardi (*)

Meus irmãos e companheiros do Ideal de Luz e Amor que o Espiritismo anuncia para todo o mundo: Deus os abençoe e que Jesus nos guie os passos!

Junto a vocês todos, neste País que tão gratamente nos fala ao coração, ouso manifestar os meus sinceros votos de união e fraternidade, para que o esforço de vocês, à luz do Consolador Prometido, alcance êxito e conforto, orientando e fortalecendo os nossos irmãos de pátria e de lutas redentoras.

Estamos aqui contando com o apoio de Francisco, o emissário do Senhor, que se compadece de nós e que tanto se empenha pela iluminação das almas, dos corações, pela fé verdadeira!

Agradecemos a vocês pelo empenho em levantar esse lábaro de amor e fé raciocinada em nossa Itália. Jesus conta conosco e sabe que, mesmo entre lutas e dissabores, entre incompreensões e amarguras, todos nós conseguiremos viver sua Mensagem Eterna, resgatando-a para os novos tempos de Regeneração da Terra!

Tenham bom ânimo e esperança; demo-nos as mãos; que nossas reuniões reproduzam a força dos primeiros cristãos; que nossos estudos se caracterizem pela busca do alimento moral e não pela consagração da vaidade intelectual...

A Humanidade é nossa família diante de Deus e todos sofremos os processos naturais da evolução pelas incontáveis reencarnações sucessivas...

Amemo-nos, ajudando-nos a ser melhores do que temos sido; ouçamos a Voz dos Espíritos Superiores que, em nome de Jesus, como Trombetas da Verdade Divina, nos comunicam a Luz, a ciência das Leis Eternas!

Uni-vos, amigos! Auxiliemos a nossa Itália a encontrar a Grande Luz da Verdade no Espiritismo sem vaidades e sem presunções, sem hierarquias orgulhosas e sem teorias exdrúxulas, porque a força da vida está nos exemplos de quem ama, em consciência e fervor!

Recordemos os grandes servidores do Evangelho, para que nossas atividades alcancem seu sagrado objetivo: a redenção da Família Humana.

Nosso abraço fraterno, com votos de paz!
 *  *
(*) - Spartaco Ghilardi, italiano, viveu em São Paulo, onde fundou o
Grupo Espírita Batuíra, e foi muito amigo de Chico Xavier.
Atualmente há um Grupo com seu nome em Milão.
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A mensagem acima foi psicografada pelo médium Wagner Gomes da Paixão durante Seminário realizado no dia 19 de maio pela União Espirítica Italiana, em Castenuovo del Garda, região de Verona, norte da Itália, nas dependências da Associação dos Alpini, com a presença de dirigentes e frequentadores de grupos espíritas da região de Verona, Treviso, Lecco e de Trento.

O evento, apoiado pelo grupo espírita local ─ Francisco de Assis ─ contou com a participação do vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, Antonio Cesar Perri de Carvalho, que falou sobre o tema "Visão Espírita sobre Francisco de Assis".

No Seminário, estiveram presentes, ainda, Wagner Gomes da Paixão; Regina Piccoli, presidente da U.S.I; Célia Maria Rey de Carvalho (esposa do vice-presidente Perri de Carvalho); Flávio Rey de Carvalho e Hemerson Xaxá.
*  *  *
(Fonte: Portal FEB. Acesso em: 21/maio/2012.
Imagem: www.google.com. Acesso em: 21/mai/2012.


domingo, 20 de maio de 2012

OS BONS ESPÍRITAS

"[...] Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Um é qual músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons.

Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade."
*  *  *
 (De "O Evangelho Segundo o Espiritismo",
de Allan Kardec,  Cap. XVII - item 4.)
Imagem: www.google.com. Acesso em: 20/maio/2012.
(grifamos)
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Leia também:
Tentação
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

DEUS OU MAMON?

  

Por Leonardo Pereira*

"Não podeis servir a Deus e a Mamom; guardai bem isto, vós que sois dominados pelo amor do ouro, vós que venderíeis a alma para enriquecer, porque isso poderia elevar-vos acima dos outros e proporcionar-vos o gozo das paixões. Não, não podeis servir a Deus e a Mamon! Se sentirdes, portanto, vossa alma dominada pelas cobiças da carne, apresse-vos em sacudir o jugo que vos esmaga, pois Deus, justo e severo, vos perguntará: Que fizeste ecônomo infiel, dos bens que te confiei? Empregaste essa poderosa fonte das boas obras unicamente na tua satisfação pessoal?"(Mensagem de Cheverus [Bordéus, 1861] in item 11 "Emprego da Riqueza", Cap. XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo).

Assim falava Jesus:“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou vai dedicar-se a um e desprezar o outro… Não podeis servir a Deus e a Mamon!” (Mateus, 6:24).

O lado sombra da alma que ignora as leis divinas aparece nesse diálogo de Jesus com os seus discípulos e demonstra o conhecimento do Mestre Nazareno com relação às misérias da alma humana.

O Meigo Rabi referia-se a um Deus de amor, justiça e caridade, que não aprisiona os homens em seus ensinos e suas leis, mesmo que estes estejam ainda tão próximas do ponto de partida - instintos e sensações - e tão distantes do ponto de chegada - o sentimento - que, no seu mais alto grau, é o amor por excelência.

O evangelista dá tanta importância a esses segredos do Coração do Mestre, que encaixa a narração dentro do Sermão da Montanha, o grande 'discurso' de Jesus, aberto com as Bem-Aventuranças.

Para um entendimento mais amplo da passagem acima citada, reportemo-nos a alguns fatos da história da religião cristã, destacando Evágrio do Ponto, ou Evágrio Pôntico, em grego Euagrios Pontikos (346 no Ponto - 399/400 no Egipto). "Escritor, asceta e monge cristão, Evágrio dirigiu-se ao Egito, a «Pátria dos Monges», a fim de ver a experiência desses homens no deserto, e acabou por se juntar a uma comunidade monástica do Baixo Egito. [...] Da sua vivência com os monges, traçou as principais doenças espirituais que os afligiam – os oito males do corpo; esta doutrina foi conhecida de João Cassiano, que a divulgou pelo Oriente; mais tarde, o Papa Gregório Magno também ouviu falar nela, e adaptou-a para o Ocidente como os sete pecados capitais e reduzindo de 8 para 7 – a saber a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça (à qual Evágrio chamara de acídia e tristeza)". (1)

Por fim, alguns teólogos colocaram ordem nos “pecados”, criando uma lista definitiva: Vaidade, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza, Gula, Luxúria. Mamon, esse 'deus', esse 'senhor', que também controla e domina os homens, aparece como um dos sete pecados capitais: “o demônio da avareza”, representado como uma ave de rapina.

Normalmente traduz-se 'Mamon' por 'dinheiro', mas o significado é mais extenso. O evangelista, escrevendo em grego, usou essa palavra, que é aramaica, justamente pela amplitude de sentido, estendendo-a a riqueza, dinheiro. Ou seja, não é simplesmente 'ter dinheiro' apenas, mas, principalmente, 'o uso' que dele se faz. 'Ter' ou 'deixar de ter' não é o que mais importa, mas saber, na posse ou não do 'metal sonante", como você se comporta? Continua sendo bom e justo?

Associado à idolatria como se fosse o nome de uma 'divindade', Mamon significa tudo aquilo que gera em nós o desejo de possuir, dominar, controlar coisas ou pessoas. Pode significar também o desejo de possuir e o sofrimento que dele advêm quando não se logra êxito. Tal coisa pode ocorrer no campo material e mental e/ou permanecer na esfera do pensamento, escravizando quem lhe dá curso. Por isso, possui-nos, domina-nos, controla-nos. É muito mais do que essa 'coisa' chamada dinheiro: é o 'sistema' e a maneira servil como ele nos domina. Que tem a ver com o mais fundo dos nossos desejos, do que procuramos primeiro e com o que pimeiro sonhamos. Está relacionado com os nossos impulsos egoístas, nossos apetites de poder sobre os outros e o domínio das situações, não importando o preço a pagar, que somos compelidos a quitar na esteira de nossas inúmeras existências, amargando, no cadinho da dor, personalidades apagadas e sofridas.

Mamon lembra servilismo. Comportando-se como um ídolo, 'o senhor do mundo e nosso dono', provoca-nos o desejo de dominar os outros. Na realidade, porém, a intenção é nos subjugar.

Mamon está presente onde estiver a criatura humana e suas imperfeições: no ambiente doméstico, no trabalho, na sociedade. Ele cria em nós a necessidade insubstituível de possuir cada vez mais, para que sejamos 'felizes', 'amados', 'aceitos', 'reconhecidos', 'conhecidos', 'superiores', ao mesmo tempo em que, para enfraquecer-nos, gera o medo permanente de perder a sua companhia, e, como consequência, uma inquietação cada vez maior pelo dia de amanhã, eivado de ansiedade, solidão, medo, egoísmo, vaidade, orgulho...

Mamon é o chamamento da matéria, do animal, do atavismo das crenças e costumes. Deus é o Amor libertário, que concede à criatura o livre-arbítrio, o direito de escolha de seus próprios caminhos, apenas acenando, vez ou outra, para indicar-lhe o rumo certo.

Qual, então, o melhor emprego da fortuna?

“Amai-vos uns aos outros”. Eis a solução do problema, o segredo da boa aplicação das riquezas, pois aquele que ama ao seu próximo já tem a sua conduta inteiramente traçada, porquanto a aplicação que agrada a Deus é a da Caridade.

O bom emprego da fortuna não se restringe ao simples usufruto dos bens, mas a eficiente aplicação de todos os talentos que recebemos na vida, em cada etapa reencarnatória: a riqueza, o conhecimento, a cultura, as aptidões, a família, os amigos. Na verdade, é o emprego dos meios de que dispomos para superarmos com resignação os campos da prova e da expiação, ou seja, compreensão da vida, exercício da inteligência para superar obstáculos e o uso dos talentos do espírito em favor de si mesmo e dos que o cercam, promovendo o Amor em toda parte.

Mas Jesus conhece a profundeza de nossas almas. Sabe das nossas dores, dos nossos desejos e prazeres. Por isso o ensinamento de que não se pode servir a dois senhores, dado que, agindo assim, estaremos divididos e não obteremos resultado eficiente.

Nosso amor é ainda incipiente, bruxuleante; teima em querer se apagar. É o amor em evolução, que precisa de cuidados especiais. Todos nós precisamos amar e ser amado. O amor é o principal alimento do Universo, o alimento do espírito imortal. É um sentimento capaz de apagar a multidão de enganos e promover a ascensão espiritual daquele que compreende o “amar” como fonte de evolução e progresso.

Sim, Jesus sabia e o sabe: “Não se pode servir a Deus e a Mamon”. Não se pode servir a dois senhores.
* * *
(1) - Disponível em: http://pt.wikipedia.org/ . Acesso em: 10/maio/10.
* Leonardo Pereira é Designer gráfico, orador espírita e presidente do
Gelp. Grupo Espirita Lamartine Palhano Jr. - Goiabeiras - Vitória-ES
Imagem: www.google.com.  Acesso em: 10/maio/2010.
Formatação atualizada em 09.05.2012.

sábado, 5 de maio de 2012

ESPERANTO EM PAUTA


Mensagem que o Espírito do pioneiro do Esperanto no Brasil e nos círculos espíritas, Ismael Gomes Braga, endereçou em 30 de janeiro de 1978 ao então presidente da FEB, Francisco Thiesen, através da faculdade psicográfica de Divaldo Pereira Franco:
"Mudam-se as circunstâncias — o Espírito no corpo ou fora dele —, enquanto permanecem os compromissos assumidos aguardando regularização.

Companheiros de inúmeras vilegiaturas, reencontramo-nos na última abraçando o dever de divulgar o pensamento do Cristo, conforme as luzes da Revelação Kardequiana, militando na abençoada Casa de Ismael.

Reabilitando-nos, a pouco e pouco, de um passado lamentável, compreendemos de cedo a urgência do serviço a executar, empenhando-nos na liça de clarificar consciências, em contínuo esforço de monumentalizar a grandeza do Espiritismo na comunidade brasileira.

Com as matrizes das experiências pretéritas no perispírito, sob os estímulos conscientes e inconscientes que haurimos na tarefa espírita, foram-nos despertando reminiscências, impressionando-nos ante as responsabilidades e os graves cometimentos que se nos desdobravam, à frente, convidativos...

Felizmente, armados pela fé e apoiados na razão, não receamos investir os melhores valores da alma e da vida para a obra de Ismael que esperava pela nossa deficiente cooperação, a benefício de nós mesmos.

Emocionados com o apelo — “Deus, Cristo e Caridade” — inscrito nobremente na sua bandeira de paz, nela nos engajamos com alma e coração, revinculando-nos a Jesus com diligência e abnegação.
Você prossegue no corpo, preservando a pureza dos nossos ideais, lutando por manter a unidade doutrinária, empenhado vivamente na tarefa do Livro Espírita — esse sublime facho de luz! —, fazendo das páginas de Reformador cartas vitais, para os espíritos enfraquecidos na luta se reanimarem, e medicamento de alto teor balsâmico, para os carentes de socorros de urgência...

Nós outro, liberado da névoa material e reconhecendo o pouco realizado, prosseguimos engajado, graças à misericórdia do Senhor, no luminoso serviço do Esperanto, do Evangelho e do Espiritismo.

A verdade é que, na minha pequenez de Espírito rebelde e imperfeito, reconheço que as fortunas do excelso amor não me têm sido regateadas, chegando-me, aliás, em abundância, de modo a permitir-me colaborar de alguma forma na construção desse Mundo Novo por que todos anelamos e para o qual nos devemos dar com todo o devotamento, a fim de que muito em breve se materialize, em nome de Jesus.

Acompanhando o seu esforço sacrificial até à exaustão, venho, em nome dos nossos irmãos espiritistas-esperantistas do lado de cá, agradecer-lhe o labor na divulgação da Língua Internacional, o idioma da Humanidade futura.

Iniludivelmente, sabemos que a transitória barreira das línguas ruirá, cedendo lugar a um só idioma entre os homens irmãos, não obstante a preservação de cada língua como cultura, tradição e história... Não mais as criaturas se desentendendo em face das dificuldades lingüísticas. À medida que o amor se apossar dos corações humanos, trabalhando pelo entendimento fraternal, mais imperiosa se fará a necessidade do conhecimento do Esperanto, que o missionário de Bialystok ensejou ao mundo como solução para a grave crise de Babel ainda predominante na Terra...

Reencarnando-se em 1859, nos fulgurantes dias da Codificação Kardequiana e quando Charles Darwin derrubava os preconceitos religiosos, acenando com as teorias do Evolucionismo, Lázaro Luiz Zamenhof era colocado no quadro dos apóstolos que se encarregariam de mudar a feição panorâmica do pensamento histórico em termos de fraternidade, união e amor universais...

Quando, antes dos trinta anos, apresenta as dezesseis regras da gramática revolucionária, o mundo acompanha, surpreso, a inesperada mudança do comportamento nacionalista, estreito, para a abertura do entendimento entre os povos, as nações, sem limites nem paixões...

Os pessimistas previram o desaparecimento do Esperanto para breve tempo, todavia, em 1904, em Dover e Calais, realizam-se as reuniões prévias do Primeiro Congresso Universal, levado a efeito no ano seguinte (Boulogne-sur-Mer), iniciando-se, no Brasil, a sua divulgação sistematizada e consciente pouco depois, encabeçada por eminentes homens de letras e de cultura.

Hoje o Esperanto é uma realidade em dezenas de nações, élan abençoado entre os povos, ideal vitalizador em milhões de homens que se tornaram, graças a ele, verdadeiros irmãos.

Graças a Deus, a Casa de Ismael desfraldou, pioneira, à hora própria, a bandeira do Esperantismo, enviando ao mundo sofrido a mensagem libertadora, na linguagem da comunhão universal.

Desde as primeiras horas até agora, porém, quanta luta, quantos desafios, incertezas e vitórias foram-nos assinalando o trabalho?!

O Dispensador de Bênçãos, no entanto, jamais nos deixou ao desamparo. Em momento algum os abnegados Instrutores desencarnados negacearam ajuda. Graças a tão alta contribuição de luz, de força e de amor logramos alcançar este formoso momento.

Louvado seja o Pai!

Prossiga, meu amigo, de ânimo robusto e mente tranqüila. O nosso é o prêmio da consciência reta e da certeza de fazermos o melhor ao nosso alcance.

Nossos amigos Wantuil, Porto Carreiro, Abel Gomes, Lorenz, Estevina Magalhães, Irthes Terezinha e outros mais, ao nosso lado, jubilosos, envolvendo-o em ternura e gratidão, rogam ao Senhor abençoá-lo no ministério da divulgação dos EEE, e, muito devotado, sou o amigo e samideano de sempre.
Ismael Gomes Braga".
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Texto recebido na Mansão do Caminho (do Centro Espírita Caminho da Redenção), em Salvador- BA, e publicado em Reformador de maio/1978 (p. 147).[...]Tais manifestações do mundo espiritual em favor do Esperanto, do seu cultivo entre os espíritas, permanecem sempre sugestivas e oportunas, por evidenciarem o apreço dos Espíritos Superiores pelo grande ideal da Língua Internacional Neutra.
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

BIOGRAFIA DE LÁZARO LUIZ ZAMENHOF


Lázaro Luiz Zamenhof nasceu em 15 de dezembro de 1859, na cidade de Bialystok, na Polônia, então anexada ao Império Russo. Era filho de Rosália e Marcos Zamenhof, criterioso professor de Geografia e línguas modernas.

Bialystok era uma cidade retalhada por diferenças políticas, religiosas e lingüísticas; falavam-se ali quatro idiomas: o polonês, o iídiche, o russo e o alemão, e o menino Lázaro assistia a discussões e contendas que geralmente terminavam em lágrimas, sangue e até mesmo em mortes violentas. Essa impressão terrível não mais se apagaria de sua mente; por isso, desde criança ele acalentou o sonho de criar uma língua através da qual as pessoas de sua cidade e do mundo inteiro pudessem se entender.

Zamenhof aprende vários idiomas (além dos quatro de sua cidade, aprendeu latim, hebraico, francês, grego e italiano, entre outros) e, ainda ginasiano, em 1878, elabora a “Lingve Universala”, aquela que viria a ser a predecessora do Esperanto.

A família de Zamenhof mudou-se para Varsóvia e, terminado o ginásio, ele foi mandado para Moscou, onde iria estudar Medicina. Durante seu afastamento, seu pai, prudente e rigoroso, preocupado com o futuro do filho, queimou os manuscritos sobre a Língua Internacional.

Ao regressar à casa paterna e dar-se conta do ocorrido, Lázaro passa a reconstruir pacientemente todo o seu projeto. Só depois de experimentos exaustivos e comprovações minuciosas com os estudos da gramática e vocabulário intensamente vividos e testados foi que considerou pronta a sua obra. Traduziu para o Esperanto grandes obras da literatura mundial, entre elas a Bíblia (Velho Testamento) e Hamlet, de Shakespeare. Estava nessa época com 28 anos de idade.

Finalmente, em 26 de julho de 1887, com o auxílio financeiro de seu futuro sogro, Zamenhof lança o Esperanto para o mundo, através de uma pequena gramática em russo, a “Lingvo Internacia”, de autoria do “Doktoro Esperanto” (pseudônimo que na nova língua significa “doutor que tem esperança”). O pseudônimo, com o decorrer do tempo, passou a ser usado para denominar a própria língua: Esperanto.

Sem deixar a profissão, já médico (oftalmologista) formado, Zamenhof trabalhou ardorosamente na divulgação da Língua Internacional. Só depois de concluída e editada sua obra é que casou-se com Clara Silbernik, com quem teve três filhos.

Em agosto de 1905, Lázaro Luiz Zamenhof vê o seu ideal se concretizar no Primeiro Congresso Universal de Esperanto, em Boulogne-sur-Mer, na França, onde se reuniram centenas de pessoas de vários países, comunicando-se em uma única língua, durante os seis dias do evento. O criador da Língua da Fraternidade ainda compareceu a outros oito congressos universais, fazendo discursos em quase todos eles, viajando sempre às custas de suas próprias finanças, com dificuldades, mas nunca se aproveitando do seu prestígio.

Em 1914, a eclosão da Primeira Guerra Mundial interrompe a expansão do Esperanto por algum tempo Abalado, Zamenhof, com problemas cardíacos, vem a falecer três anos depois, em 14 de abril de 1917, na cidade de Varsóvia.

Lázaro Luiz Zamenhof foi um homem iluminado, de moral superior, dotado de extraordinária força de vontade na divulgação de seu ideal humanístico. Foi um verdadeiro universalista, pacifista e pensador que lutou contra toda espécie de sectarismo. Sua vida foi tecida de sacrifícios, abnegação e devotamento; era um homem extremamente solidário, cultivando a tolerância e a afabilidade para com todos, nunca perdendo a oportunidade de ser caridoso. Foi, portanto, com merecimento, que a UNESCO o reconheceu como um “benfeitor da Humanidade”, um nobre espírito que legou à família humana o instrumento ideal para a comunicação entre seus membros e para o seu progresso, baseados na fraternidade universal.
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Imagem: www.google.com. Acesso em: 01/maio/2012.