quinta-feira, 30 de setembro de 2010

MATÉRIA NÃO EXISTE, TUDO É ENERGIA

 Por Leonardo Boff*

O título deste artigo diz uma obviedade para quem entendeu minimamente a teoria da relatividade de Einstein pela qual se afirma ser matéria e energia equivalentes. Matéria é energia altamente condensada que pode ser liberada como o mostrou, lamentavelmente, a bomba atômica.

O caminho da ciência percorreu, mais ou menos, o seguinte percurso: da matéria chegou ao átomo, do átomo, às partículas subatômicas, das partículas subatômicas, aos “pacotes de onda” energética, dos pacotes de onda, às supercordas vibratórias, em 11 dimensões ou mais, representadas como música e cor.

Assim um elétron vibra mais ou menos quinhentos trilhões de vezes por segundo. Vibração produz som e cor. O universo seria, pois, uma sinfonia de sons e cores. Das supercordas chegou-se, por fim, à energia de fundo, ao vácuo quântico.

Neste contexto, sempre lembro de uma frase dita por W.Heisenberg, um dos pais da mecânica quântica, num semestre que deu na Universidade de Munique em 1968, que me foi dado seguir e que ainda me soa aos ouvidos : “O universo não é feito por coisas mas por redes de energia vibracional, emergindo de algo ainda mais profundo e sutil”. Portanto, a matéria perdeu seu foco central em favor da energia que se organiza em campos e redes.

Que é esse ”algo mais profundo e sutil” de onde tudo emerge?

Os físicos quânticos e astrofísicos chamaram de “energia de fundo” ou “vácuo quântico”, expressão inadequada porque diz o contrário do que a palavra “vazio” significa.

O vácuo representa a plenitude de todas as possíveis energias e suas eventuais densificações nos seres. Dai se preferir hoje a expressão pregnant void “o vácuo prenhe” ou a“fonte originária de todo o ser”

Não é algo que possa ser representado nas categorias convencionais de espaço-tempo, pois é algo anterior a tudo o que existe, anterior ao espaço-tempo e às quatro energias fundamentais, a gravitacional, a eletromagnética, a nuclear fraca e forte.

Astrofísicos imaginam-no como uma espécie de vasto oceano, sem margens, ilimitado, inefável, indescritível e misterioso no qual, como num útero infinito, estão hospedadas todas as possibilidades e virtualidades de ser.

De lá emergiu, sem que possamos saber porquê e como, aquele pontozinho extremamente prenhe de energia, inimaginavelmente quente que depois explodiu (big bang) dando origem ao nosso universo.

Nada impede que daquela energia de fundo tenham surgido outros pontos, gestando também outras singularidades e outros universos paralelos ou em outra dimensão.

Com o surgimento do universo, irrompeu simultaneamente o espaço-tempo.

O tempo é o movimento da flutuação das energias e da expansão da matéria. O espaço não é o vazio estático dentro do qual tudo acontece mas aquele processo continuamente aberto que permite as redes de energia e os seres se manifestarem.

A estabilidade da matéria pressupõe a presença de uma poderosíssima energia subjacente que a mantém neste estado.

Na verdade, nós percebemos a matéria como algo sólido porque as vibrações da energia são tão rápidas que não alcançamos percebê-las com os sentidos corporais. Mas para isso nos ajuda a física quântica, exatamente porque se ocupa das partículas e das redes de energia, que nos rasgam esta visão diferente da realidade.

A energia é e está em tudo. Sem energia nada poderia subsistir. Como seres conscientes e espirituais, somos uma realização complexíssima, sutil e extremamente interativa de energia.

Que é essa energia de fundo que se manifesta sob tantas formas?

Não há nenhuma teoria científica que a defina. De mais a mais, precisamos da energia para definir a energia. Não há como escapar desta redundância, notada já por Max Planck.

Esta Energia talvez constitua a melhor metáfora daquilo que significa Deus, cujos nomes variam, mas que sinalizam sempre a mesma Energia subjacente.

Já o Tao Te Ching (§ 4) dizia o mesmo do Tao: ”o Tao é um vazio em turbilhão, sempre em ação e inexaurível. É um abismo insondável, origem de todas as coisas e unifica o mundo”.

A singularidade do ser humano é poder entrar em contacto consciente com esta Energia. Ele pode invocá-la, acolhê-la e percebê-la na forma de vida, de irradiação e de entusiasmo.🔵
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*(Leonado Boff com Mark Hathaway é autor
de The Tao of Liberation. N.York(2010).
Nota: Artigo publicado originalmente no
'Blog do Ricardo Noblat',  em 27.9.2010.)
Formatação atualizada em:15/setembro/2017.

domingo, 5 de setembro de 2010

PENSEMOS BEM




Enviado por Sérgio Macedo Ferreira



“Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor. Nossa compreensão do universo ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja em nossa vida”.

Essa frase encerra em si uma concepção profunda e altamente consciente das limitações do ser humano. Sinceramente, eu acredito que o mais sábio dos sábios, entre nós, ainda está muito, muito aquém de conhecer sequer a sua própria existência.

Lamentar-se, queixar-se, julgar e sentenciar alguém ou algum fato, é tão errado quanto admitir que realmente sabemos algo do que está acontecendo. Sim, meus amigos, a bandeira maior de um filósofo, o seu ponto de partida, sem dúvida, consiste na consciência de que ele muito pouco sabe sobre o saber.

Só vestido com essa roupagem, despido do orgulho intelectual, pode-se evitar uma série enorme de constrangimento e seu consequente sofrimento.

O simples fato de não aceitarmos um fato, de não o entender, provoca-nos imediata revolta e descontentamento. Então, como nos achamos sempre perfeitos, saímos à caça dos culpados por tudo o que não está em conformidade com os nossos planos. E, como tem que existir sempre um culpado, acabamos elegendo um, e, quando não o localizamos aqui na terra, chegamos até mesmo a culpar o nosso Criador pelo inescrupuloso destino que nos foi dado.

Agora, o fato de aceitarmos que não entendemos nada, que não conhecemos nada sobre tudo, não nos permite sairmos julgando, pelo menos precipitadamente, qualquer fato ou pessoa.Essa atitude, sem dúvida, evita uma série de situações e sentimentos negativos, que só tendem a nos prejudicar.

Assim, pensemos bem antes de julgarmos qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer situação. É melhor, sem dúvida, aceitar tudo o que a Natureza nos impõe, pois ela - só ela -sabe perfeitamente o que precisamos vivenciar no dia de hoje.

Imagem:  http://www.google.com/ .
Acesso em: 06/agosto/10.