sexta-feira, 19 de julho de 2013

AS PROVAS E EXPIAÇÕES COMO MECANISMOS EVOLUTIVOS


Marta Antunes Moura
(Coordenadora das Comissões Regionais na área da
Mediunidade da Federação Espírita Brasileira (FEB), Vice-presidente da FEB)


Um dos princípios da Doutrina Espírita é a reencarnação, entendida pelos orientadores espirituais como necessária à evolução humana, pois “uma só existência corpórea é claramente insuficiente para que o Espírito possa adquirir todo o bem que lhe falta e de desfazer de todo o mal que traz em si.”[1]

Para nos auxiliar no processo ascensional, Deus nos concede o livre arbítrio, uma vez que,  se o homem  “(…) tem liberdade de pensar, tem também a de agir. (…).”[2] Podemos, então, afirmar que o ser humano é o árbitro do seu destino e que cada escolha, independentemente das suas motivações ou justificativas, acionam a lei de causa e efeito em qualquer plano de vida que se situe: o físico ou o espiritual.

O uso do livre arbítrio são ações que provocam reações, no tempo e no espaço. As boas escolhas produzem progresso evolutivo, enquanto as escolhas infelizes geram provações  ou  expiações que se configuram como mecanismos evolutivos, moduladores da lei de causa e efeito,  claramente consubstanciada no planejamento reencarnatório de cada indivíduo. Daí Emmanuel afirmar: “A lei das provas é uma das maiores instituições universais para a distribuição dos benefícios divinos.”[3]

Para melhor compreensão do assunto, Emmanuel especifica também a diferença que há entre prova (ou provação)  e  expiação: “A provação é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual. A expiação é pena imposta ao malfeitor que comete um crime.”[4]

Percebe-se, portanto, que a prova assemelha-se a uma corrida de obstáculos que tem o poder de impulsionar o progresso humano. As provas sempre existirão, mesmo para Espíritos superiores,  por se tratarem de desafios evolutivos. A expiação, contudo, representa uma contenção temporária da liberdade individual, necessária à reeducação do Espírito que, melhor utilizando o livre arbítrio, reajusta-se  às determinações das leis divinas.

As provações podem ser difíceis, não resta dúvida,  mas,  por seu intermédio, o Espírito é colocado em situações que o afasta do estado de inércia em que ora permanece ou se compraz, proporcionando-lhe, ao mesmo tempo,  oportunidades para  que ele possa trabalhar a melhoria das suas atuais condições de vida.

Nas expiações, o Espírito vê-se colocado  prisioneiro das más ações cometidas, pelo uso indevido do livre arbítrio.  Para que não se prejudique mais, renasce sob processos de contenção que, obviamente, produzem sofrimentos, sobretudo se o ser espiritual ainda não consegue apreender o valor da dor como instrumento de educação e  cura espirituais.

Em O Céu e o Inferno, Allan Kardec lança outras luzes a respeito do tema, quando explica que o arrependimento das faltas cometidas é o elemento chave para liberar o Espírito das provações dolorosas e das expiações. O Codificador, assim se expressa: 

Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza as dores da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa.(Grifos no original)[1]

Nesses termos, a libertação do Espírito, ou reparação, indica ser a etapa final da expiação porque, perante os códigos divinos, não nos é suficiente expiar uma falta, é preciso anulá-la, definitivamente, da vida do Espírito imortal, pela prática do bem:

A reparação consiste em fazer o bem a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros nesta vida por fraqueza ou má vontade, achar-se-á  numa existência posterior em contato com as mesmas pessoas a quem prejudicou, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes o seu devotamento, e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.[2]
**
Referências
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 1ª ed. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2009.
__________. O Livro dos Espíritos. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 2ª ed. 1ª reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2011.
XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28ª ed. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2008
[1] Allan Kardec. O Céu e o Inferno. Pt. 1, cap. III, it. 9, pág. 49.
[2] Idem. O Livro dos Espíritos. Q. 843, pág. 507.
[3] Francisco Cândido Xavier. O Consolador. Q. 245, pág. 201.
[4] Ibid., q. 24, pág. 201.
[5] Allan Kardec. O Céu e o Inferno. Pt. 1, cap. VII – Código penal da vida futura -, q.16ª, pág. 126.
[6] Ibid., q. 17ª, p. 12.
*  *  *
(Texto disponível no Portal FEB - www.febnet.org.br .
Acesso em: 19/julho/2013.)
Imagem: www.google.com. Acesso em: 19/julho/2013.

terça-feira, 16 de julho de 2013

CLAMORES

Antonio Cesar Perri de Carvalho - Presidente da FEB
Antonio Cesar Perri de Carvalho*

"Postulações aparentemente localizadas e específicas, repentinamente ensejaram clamores diversos e de maneira difusa, espraiando-se pelo país. Quando se analisa o conjunto das manifestações – majoritariamente pacíficas -, o cenário é muito claro. Está evidente que há muita ansiedade, preocupações e demandas reprimidas.

No ambiente das searas espírita e religiosa em geral, há uma ação continuada em defesa da vida, pois nos últimos anos se amiúdam as tentativas de liberação do aborto e até da eutanásia no Brasil. Infelizmente, muitos não se dão contam que tais propostas estão definidas em alguns ideários partidários. As atividades assistenciais executadas com dedicação pelos espíritas há mais de século, hoje sofrem o influxo de legislações complementares, de normas e de pressões que tendem a inviabilizar a opção da entidade se caracterizar como filantrópica. As organizações religiosas como um todo se sentem estranguladas por tentativas de ingerências do Estado e de governos.

Há uma certa confusão entre o fato do Brasil ser um Estado laico, cabendo toda ação de repeito à diversidade religiosa, com as propostas claramente ateístas que têm embasado algumas ações políticas.

A FEB tem participado ativamente de movimentos da sociedade civil e de foros adequados que visam o respeito à vida em todas suas etapas e de eventos que defendam a diversidade religiosa e a ação social por parte de organizações religiosas.

Numa visão espírita, naturalmente somos levados a refletir no conteúdo e vaticínio de Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, psicografado por Chico Xavier nos idos de 1938. O espírito Humberto de Campos comenta momentos que nos induzem a entender enganos cometidos ao longo do processo civilizatório de nosso país e, inclusive, destaca colocações e alertas dos orientadores espirituais do país. Todavia, deixa clara a destinação e a missão espiritual do país. Já no prefácio previa-se, há mais de 70 anos atrás: “[…] o Brasil terá também o seu grande momento no relógio que marca os dias da evolução da Humanidade”.

Além dessa monumental obra da lavra mediúnica de Chico Xavier, no marco inaugural do Espiritismo O livro dos espíritos, há significativas questões sobre a vida em sociedade. Especificamente da questão 783, transcrevemos: “Segue sempre marcha progressiva e lenta o aperfeiçoamento da Humanidade?” Trecho da resposta “Há o progresso regular e lento, que resulta da força das coisas. Quando, porém, um povo não progride tão depressa quanto devera, Deus o sujeita, de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o transforma.”; e, assinalamos um trecho comentado pelo próprio Allan Kardec: “O homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância, porque tem de atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Ele se instrui pela força das coisas. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram nas ideias pouco a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações.”

O Codificador desenvolve importante raciocínio em Obras Póstumas (1ª parte): “Liberdade, igualdade, fraternidade. Estas três palavras representam, por si só, o programa de toda uma ordem social que realizaria o mais absoluto progresso da Humanidade, se o princípio que elas traduzem pudesse receber integral aplicação”.

Parece-nos lícito concluir que temos compromissos com a cidadania. O Espiritismo – como “obra de educação”- se assenta na moral do Cristo, e esta se fundamenta no respeito à vida e ao próximo, na ética e na moral. Tais valores devem ser a grande bandeira para as decisões de foro íntimo e de comprometimento coletivo. A reflexão dos textos do Novo Testamento à luz do Espiritismo são sempre necessárias para compreendermos e buscarmos as novas aspirações para uma Humanidade melhor."
*  *  *
(*)Antonio Cesar Perri de Carvalho é presidente da Federação Espírita Brasileira.
Fonte: Portal FEB. Acesso em: 15/julho/2013.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

LIVROS DOS SENTIMENTOS

Antonio Cesar Perri de Carvalho*

"Neste ano, dois romances marcantes do Espírito Emmanuel – Renúncia e Ave, Cristo! completam, respectivamente, 70 e 60 anos de lançamento pela FEB.

Os chamados romances históricos de Emmanuel têm seus enredos assentados em episódios do Cristianismo. O próprio autor não é a figura central nos dois romances ora homenageados.

Ave, Cristo!  Desenvolve-se em momentos iniciais da difusão do Cristianismo pelas Gálias, na região da cidade de Lyon, e com etapas em terras da Campânia e na capital do império romano. Destacam-se os exemplos de Ápio Corvino, de irmão Corvino, Basílio, Lívia e dificuldades da personalidade Taciano. Ao final, este e seu pai reencarnado (Quinto Varro/Quinto Celso), são sacrificados em Roma e surge o estandarte com a saudação tocante: “ – Ave, Cristo! os que vão viver para sempre te glorificam e saúdam!”(1)

Na apresentação de Renúncia o Autor Espiritual comenta: “Este é um livro de sentimento, para quem aprecie a experiência humana através do coração.” (2) Nos séculos XVII e XVIII a personagem central Alcione é o marco de dedicação, persistência e acima de tudo de renúncia. Neste livro aparece o trabalho evangelizador de padre Damiano e os diálogos entre ele e a jovem citada, sobre o estudo do Evangelho, o que serviu de inspiração para que um grupo de estudiosos do Evangelho, liderados por Honório Onofre Abreu iniciasse um estudo aprofundado do Novo Testamento.

Consideramos que os grandes exemplos de renúncia da personagem Alcíone são comparáveis aos de Quinto Varro em “Ave-Cristo!” e dos que entregaram suas vidas sob a égide do clamor “Ave, Cristo!”(3)

Entendemos como muito oportuna a leitura, estudo e reflexão sobre os dois livros, pois a dedicação e renúncia dos cristãos primitivos se repetiram em outros momentos de nossa Civilização, em personificações nobres e altaneiras. O Espírito de Verdade define que a Sabedoria humana reside em duas palavras: “A abnegação e o devotamento são uma prece contínua e encerram em ensinamento profundo.(4)

O pano de fundo dos dois romances é o Cristianismo e os enredos transbordam de emoções e sentimentos humanos. Ambos são muito úteis para os momentos difíceis de nossos tempos, em que a grande tarefa é a concretização das propostas cristãs com a compreensão aplicada pela Doutrina Espírita.
1. XAVIER, Francisco Cândido. Ave Cristo! Pelo Espírito Emmanuel. Ave Cristo!, p. 8, Ed. FEB.
2. XAVIER, Francisco Cândido. Renúncia. Pelo Espírito Emmanuel. Velhas Recordações, p. 8, Ed. FEB.
3. Editorial. Reformador, Abril de 2013, on line:
http://www.sistemas.febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=348
4. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 8, Ed.FEB."


*  *  *
(*) O autor é presidente da Federação Espírita Brasileira.
Texto e imagens disponíveis no Portal FEB. Acesso em: 15/julho/2013.Destaques: pelo Editor do Blog.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A FEB E O MOMENTO ATUAL - VISÃO DE ALLAN KARDEC


"Allan Kardec pergunta: Segue sempre marcha progressiva e lenta o aperfeiçoamento da Humanidade?

Os Espíritos respondem: “Há o progresso regular e lento, que resulta da força das coisas. Quando, porém, um povo não progride tão depressa quanto devera, Deus o sujeita, de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o transforma.”

Allan Kardec comenta: O homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância, porque tem de atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Ele se instrui pela força das coisas. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram nas idéias pouco a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações.

Nessas comoções, o homem quase nunca percebe senão a desordem e a confusão momentâneas que o ferem nos seus interesses materiais. Aquele, porém, que eleva o pensamento acima da sua própria personalidade, admira os desígnios da Providência, que do mal faz sair o bem. São a procela, a tempestade que saneiam a atmosfera, depois de a terem agitado violentamente.
(Questão 783, O Livro dos Espíritos)"
 *  *  *
(Texto disponível no Portal FEB - www.febnet.org.br .
Acesso em: 03/julho/2013.)
Imagem: www.google.com. Acesso em: 03.07.2013.