sexta-feira, 8 de abril de 2011

TRAGÉDIA DE REALENGO: MOMENTO DE FÉ E ORAÇÃO



"Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo."
(S. MATEUS, 11:28 a 30.)
 
Acredito que não haja, em qualquer idioma, palavra que possa expressar a extensão da tragédia que se abateu sobre Realengo, no Rio de Janeiro. Tampouco avaliar as suas consequências quer no Plano Físico, quer no Plano Espiritual.

Estamos de luto. Vivemos longas horas de intensa comoção, em face dos acontecimentos, e nos sentimos atingidos também, em cheio, pela brutalidade do ataque à Escola.

Queremos, assim, registrar o nosso pesar, a nossa profunda tristeza por esse fato pavoroso que vitimou tantos jovens, deixando um rastro de sofrimento que só a Misericórdia de Deus poderá apagar.

No entanto, mesmo não tendo palavras, queremos dizer da necessidade de buscarmos, com muita fé, o Consolo Divino. Deus é Pai Amantíssimo e jamais nos abandonará. O Seu Amor enxuga lágrimas, conforta corações. E fortalecerá o ânimo dos que precisam continuar vivos e encontrar um novo alento na busca da necessária superação.

Roguemos, também,  à Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, a Rainha dos Anjos, que acolha sob o Seu Manto Poderoso os Espíritos que voltaram à Pátria Espiritual em razão desse nefasto acontecimento.

Que os Seus Anjos atuem na recuperação física e no fortalecimento espiritual dos feridos.

Que o Seu Coração Magnânimo ampare todos os familiares alcançados por esse grande processo coletivo de dor.

Muita Paz!
Francisco.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

AS CASAS DE JESUS

Colônia Nosso Lar
Ionilda V. Carvalho*

"Espera-se que o líder espírita, o dirigente espírita seja capaz
de administrar com poucos recursos e hoje não mais num modelo
 essencialmente assistencialista, não mais açambarcando todas as atividades,
mas que se torne um verdadeiro líder, capaz de delegar, envolver e promover."

Teresinha Covas Lisboa é professora e escritora de vários livros de gestão hospitalar e vem dedicando seu tempo ao tema de liderança nos serviços de saúde.

Nesse último trimestre a professora concedeu uma entrevista à Revista – Notícias Hospitalares – quando abordou o tema de seus estudos relatando que o os verdadeiros líderes são os que administram sem recursos, têm a confiabilidade da população e alcançam resultados em suas propostas de trabalho. E identificou as qualidades do líder:

- Saber ouvir, sem julgar;
- Ser autêntico;
- Construir um clima saudável;
- Partilhar poder;
- Desenvolver as pessoas.

Recordando Joanna de Angelis, que tem trabalhado em suas obras a importância da qualificação do trabalhador espírita, podemos reverter essas qualidades de liderança para as Casas Espíritas.

Espera-se que o líder espírita, o dirigente espírita seja capaz de administrar com poucos recursos e hoje não mais num modelo essencialmente assistencialista, não mais açambarcando todas as atividades, mas que se torne um verdadeiro líder, capaz de delegar, envolver e promover.

As obras da Ermance Dufaux, têm trazido subsídios para que essa liderança espírita esteja pautada na convivência, na troca e principalmente na consciência do dirigente de promover a felicidade e a libertação.

Alçar o Centro Espírita a uma Casa de Jesus é buscar caminhar de acordo com suas pegadas.

Saber ouvir e ouvir sem julgar nos reportam ao Atendimento Fraterno, ao acolhimento de Espíritos encarnados que chegam à Casa, que participam de suas atividades, que são trabalhadores e que muitas vezes, discriminados porque pensam ou agem fugindo ao padrão estabelecido como aceitável para o espírita, são afastados ou alijados do que deveria ser a “Praça de Convivência”, ou a Casa de Jesus.

Jesus conviveu com Espíritos titubeantes, indecisos, entregues ao mal e ao desequilíbrio, prostitutas, ladrões, e como os ouviu...

Ser autêntico é ser verdadeiro, ser claro em suas atitudes, sem dissimulações, sem meias palavras e sem manipulações de qualquer ordem. É compreender a necessidade de estabelecer relações saudáveis de troca, de experiências e de aprendizados, evitando melindres, evitando fofocas e muito menos falsos puritanismos. Ser autêntico é mergulhar em si mesmo e perceber a própria precariedade, a própria indigência e não carregá-la como um fardo, mas como uma meta de conquistas a realizar.

“Quantos se encontrem investidos da responsabilidade de dirigir e cooperar com os grupamentos do Espiritismo, priorizem como compromisso essencial de suas vinhas o ato corajoso de trabalhar pela formação de ambientes educativos, motivadores de confiança espontânea e de comprometimento do coração.”- Ermance Dufaux pela psicografia de Wanderley de Oliveira em sua nova obra – Escutando Sentimentos.

Esse o ambiente saudável a que se referia a Sra. Teresinha.

Continua Ermance: “Somente no clima de auto-amor elencamos condições essenciais para analisar as tarefas doutrinárias como campo de oportunidade e aprendizado, crescimento e libertação. Sem auto-amor e respeito aos semelhantes, vamos repetir velha cena do Evangelho para saber quem é o maior.”

Principalmente nas Casas de Jesus, não devem faltar o discernimento e o desprendimento a fim de entendermos que se estamos à frente de alguma tarefa é por resgate ou por preparação realizada anteriormente. Qualquer que seja essa causa, ela não nos deve impedir de promovermos a divisão de responsabilidades e de formarmos um grupo coeso e comprometido, capaz de administrar as necessidades materiais, estruturais e espirituais de uma Casa Espírita.

O feixe de varas deve ser sempre a imagem a acompanhar o dirigente.

Trocar opiniões, dividir responsabilidades, somar conhecimentos, transformam uma tarefa árdua e muitas vezes desgastante, principalmente pela precariedade de recursos financeiros, em um campo de aprendizado e crescimento. Onde cada um se compromete e se solidariza, e todos desmitificam a crença de que liderança é saber mais, ser o melhor ou o maior.

Partilhar poder é entender que “não existem pessoas mais ou menos valiosas no serviço de implantação do Bem na Terra. Existem resultados mais abrangentes e expressivos que outros, no entanto, não conferem privilégios ou são sinônimos de sossego interior aos seus autores.”(op.cit.)

Nada é mais difícil para nós do que reconhecer o valor alheio, a capacidade do outro porque isso nos remete a uma aparente deficiência nossa, aparente porque potencialmente somos todos igualmente capazes, no entanto talvez seja ainda mais espinhoso entender, que ouvir sem julgar, ser autêntico, construir um clima saudável e partilhar poder devem ser usados como clima de fundo para que possamos executar a tarefa maior a que Jesus nos concitou, que é desenvolver pessoas.

Promover crescimento é alçar outros ao patamar da felicidade e da libertação. É sair do narcisismo que segundo a Sra. Ermance se traduz “na rigidez, onde eu controlo, na competição, onde eu sou o maior, na imprudência, onde eu quero ou na prepotência, onde eu posso...”

[...]

Casas Espíritas devem traduzir acolhimento, atenção ao outro, “estímulo à autonomia e tolerância com os limites alheios”. Transformaremos assim o Centro Espírita em Casas de Jesus. Isso é trabalho de desprendimento, de renúncia, de esforço e de humildade. Demanda tempo e vontade.

Vemos aqui que os ensinamentos de Jesus, nesse tempo de transição, quando somos impulsionados à mudança de atitudes e à qualificação, chegam por caminhos diversos.

Os que estão “escutando sentimentos”, buscando crescer se transformarão em impulsionadores de virtudes e conquistas.

Vamos aceitar o desafio?
***
(*Médica, professora universitária e oradora espírita em Campos dos Goytacazes - RJ.)