quinta-feira, 18 de agosto de 2016

FAZER BEM FAZ BEM


Dr. Paulo Batistuta

'...Estudos científicos mostram que a saúde é bastante influenciada por fatores transcendentes, em nosso caso, o altruísmo, ou caridade...'
Apesar de ser propalado aos quatro ventos, fazer o bem traz ao benfeitor tanto ou maiores benefícios. O que não sabemos é como isso se dá. Todavia, esse tema provoca a comunidade científica: trata-se de uma atitude transcendente (restrita ao campo não-material, espiritual) influindo no bem-estar orgânico.

Em 1991, Midlarsky investigou o comportamento altruísta – considerando altruísmo como devoção ao próximo – em indivíduos de meia-idade, verificando que ele gera no seu agente compreensão, ressignificação e esquecimento dos próprios problemas, maior integração social e percepção de sua competência, além de melhora no estilo de vida.

Efeitos drásticos também foram notados por Oman e colaboradores (1999) ao estudarem a mortalidade em trabalhadores voluntários. O voluntariado gerou redução de 44% na mortalidade, tendo efeito protetor maior que atividade física (30%) e participação em cultos religiosos (29%), sendo menor  apenas  que o  hábito de não fumar (49%).

Outra curiosidade é que o altruísmo contagia, conforme o estudo de McClelland, McClelland& Kirchnit (1988). Inicialmente, esses pesquisadores convidaram seus alunos a assistir a um filme sobre a obra de Madre Teresa com pessoas pobres e doentes de Calcutá. Em seguida, dosaram as taxas de imunoglobulina A salivar (IgA-S), que é um anticorpo relacionado à imunidade, e verificaram elevação significativa dela quando comparados a outros alunos que assistiram a um filme desprovido dessa temática.

Também descobriram que ocorre aumento na IgA-S após a mentalização de pessoas amadas, demonstrando que o “mergulho no amor” fortalece o sistema imunológico.

Estudos assim nos fazem pensar que a saúde é bastante influenciada por fatores transcendentes, em nosso caso, o altruísmo, ou caridade. Foi baseando-se em investigações desta natureza que Norman B. Anderson notou seis dimensões da saúde implicadas na longevidade do indivíduo: dimensão biológica; pensamentos e atitudes (bem-estar psicológico e comportamental); ambiente e relacionamentos (bem-estar ecológico); conquistas econômicas (bem-estar econômico); fé e significado (bem-estar espiritual) e emocional (bem-estar emocional).

Talvez seja considerando fatores como estes que foi enunciada a máxima paulina “fora da caridade não há salvação”, ou seja, salvação como saúde no seu mais amplo sentido, estimulando uma cadeia virtuosa de eventos que concorrem para um mundo mais pacífico. Pois como asseverou Adam Smith (1759), a gratidão resulta em bem-estar social.

(Dr.Paulo Batistuta é médico obstetra/ginecologista e diretor da Associação Médico-Espírita do Espírito Santo.)
Fonte: texto disponível em "A Gazeta", Opinião, pág. 19, edição de 20.02.2014. Acesso em: 20/fevereiro/2014.
Imagem: www.google.com. Acesso em:18/agosto/2018. 

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