domingo, 9 de agosto de 2015

JESUS - MODELO E GUIA

Por Leonardo Pereira*

"...Lembremos, pois, o Mestre Nazareno, que nos conclama há dois mil anos ao aprendizado das Leis Divinas..."
Jesus nunca aceitou nenhum titulo, a não ser o de mestre. Agia assim para nos orientar, fazendo-Se modelo e guia, convocando-nos sempre à reflexão, seja sobre nossa vida, seja sobre nossa destinação futura.

De onde vim? Para aonde vou? O que estou fazendo aqui? São questões que permeiam o nosso dia-a-dia, e que Jesus, falando ao espírito ─ ao ser imortal, não ao homem temporal ─ respondeu há mais de dois mil anos, sabendo que tais lições seriam repetidas na necessidade didática da vida, nas oportunidades que cada um tem para evoluir.

Mestre entre seu povo, o Cristo de Deus exemplificou cada palavra, vivenciou cada conselho e imortalizou cada ação, dividindo a História em ‘antes e depois’ Dele, inaugurando o reino de Deus na Terra, o Deus do amor e justiça, negando a Si mesmo o título de bom. Aos que o cercavam, dizia: “bom somente é o Pai que está no céu”, demonstrando, com tal assertiva, sua humildade e respeito ao Criador.

Com elevada capacidade de síntese, ensinou a cada um de acordo com sua cultura e conhecimento. Aos homens do campo, ensinou sobre o trigo, o joio, as vinhas, a semeadura e a semente; aos que reclamavam dos pesados impostos, levou a reflexão precisa sobre o pagamento ou não dos tributos, chamando-os à atenção a respeito do rosto esculpido na moeda; aos doutores da lei, falou da caridade plena, humanizando as relações entre Judeus e Samaritanos, forçando um deles a responder, na belíssima Parábola do Samaritano, quem era o próximo daquele que estava caído.

Chamado a julgar a adúltera, questionou prudentemente a turba que o cercava, suscitando nas consciências dos apedrejadores profunda meditação ─ “quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra” ─, dizendo, em seguida, à “pecadora”: “Mulher, onde estão os que te condenavam? Se ninguém te condena, eu tampouco te condenarei, vai e não tornes a pecar”, redimensionando, desse modo, o valor da Mulher. Da mesma forma, valoriza a ação de Maria Madalena, quando esta cai de joelhos à sua frente e unge seus pés com óleo e lágrimas, secando-os com seus próprios cabelos, como se toda sua alma se revelasse naquele momento, dizendo: ”Senhor, eis aqui a pecadora, entrego a ti o que me é mais precioso: meu coração e minha vida.”

Ao proferir a inesquecível sentença ─ “Deixai vir a mim os pequeninos porque deles é o reino dos céus” ─, chamando para o seu colo as crianças que os apóstolos queriam afastar, demonstra carinho e compreensão para com a nossa condição de ‘menores’ espirituais, e claramente nos convida a nos posicionar como aprendizes da vida ─ crianças do saber.

Sensível às nossas súplicas, mesmo no meio da multidão, ouviu o pedido do cego Bartimeu e pergunta-lhe: “Que queres que te faça?”. Após a resposta do cego ─ “Mestre, que eu tenha vista.” ─, sentencia: “Vai, a tua fé te salvou”, ilustrando, dessa maneira, a necessidade da Fé (fidelidade, certeza absoluta). O cego, então, recupera a vista; Jesus segue pelo caminho.

Mestre por excelência, ensinou até mesmo na morte aparente, quando despertou a menina de 12 anos (a filha de Jairo): “Talita cumi” (“Menina, ordeno que levante!”). E a criança, supostamente morta, imediatamente abre os olhos para a vida.

Hoje ainda essa memorável passagem soa também para nós como uma exortação para abrirmos os olhos, avivando-nos para a verdadeira vida, acordando do sono profundo ─ mortos em vida ─ em que muitas vezes nos detemos. Exorta-nos, igualmente, a despertar para as realidades espirituais, com uma visão abrangente da imortalidade, para que possamos descortinar a vida futura.

No drama da Paixão, exemplificando a humildade, defronta-se com Pilatos, que insiste em ouvir Dele se, de fato, considerava-Se rei. Segue-se, então, o inesquecível diálogo registrado pelo evangelista Marcos (15:1) . Na sequencia, Pilatos, mesmo sem ver Nele nenhum defeito ou crime, lava as mãos, e deixa que outros decidam o destino do ‘condenado’.

Por incrível que pareça, agimos assim todos os dias, lavando nossas mãos, ou evitando tomar partido do que é correto. Temos vergonha de sermos bons, justos e caridosos. Vemos a vida como Pilatos, sem compreendermos a Verdade ─ que o Espiritismo vem revelar, convidando o homem velho a se renovar, buscando dentro de si o reino dos céus, que não é o mundo da matéria, mas o mundo íntimo de cada um, da essência, do espírito.

Lembremos, pois, o Mestre Nazareno, que nos conclama há dois mil anos ao aprendizado das Leis Divinas. Façamos uma profunda reflexão sobre as Lições que Ele nos deixou, e o possível para aprendê-las, repeti-las e vivenciá-las no nosso dia-a-dia. Realizemos, como alunos da imortalidade, o Seu desejo: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

Que nossas luzes brilhem cada dia mais, iluminando nossas consciências e nossos caminhos!
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"Vós me chamais de mestre e senhor, e dizeis bem porque eu o sou" (João - 13:13).
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(*Leonardo Pereira é designer gráfico, orador espírita e presidente do
Grupo Espírita Lamartine Palhano Jr. - Goiabeiras- Vitória-ES.)
Imagem: www.google.com . Acesso   em: 16/set/2010.
Formatação atualizada em:09/agosto/2015.

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